
Segundo avança a Lusa, a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR) alertou que o abate de sobreiros para a construção de um parque eólico em Sines provoca “danos de curto prazo” que “serão difíceis de compensar”, por serem árvores adultas. Este abate “causa grande apreensão entre os agentes da fileira, devido ao impacto directo e indirecto que terá sobre o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, mas, sobretudo, porque os danos de curto prazo serão difíceis de compensar visto serem árvores adultas”, afirma a APCOR.
Em comunicado, esta associação, que representa cerca de 250 empresas do sector, expressa “profunda preocupação” com o abate, já autorizado pelo Governo, de 1.821 sobreiros para a construção do Parque Eólico de Morgavel, no concelho de Sines. “A preocupação é ainda maior pois esta é mais uma decisão que aumenta o número de sobreiros abatidos em Portugal, que pode ascender a mais de 35 mil, desde o ano de 2011”, adianta, frisando que já transmitiu várias vezes esta preocupação. Sem contestar o cumprimento dos procedimentos e enquadramento da decisão, a APCOR solicita ao Governo uma reflexão para que sejam avaliados “possíveis equilíbrios ou alternativas” entre a construção do parque e a preservação dos sobreiros.
Citado no comunicado, João Rui Ferreira, secretário-geral da APCOR, lembra “a existência de um objectivo nacional assumido de preservação do sobreiro como árvore símbolo nacional” e dos montados pelo seu “potencial actual e futuro no alinhamento com a estratégia nacional de neutralidade carbónica”. “A conservação da biodiversidade, preservação de espécies autóctones, combate à desertificação e, por último, um país social, económico e ambientalmente mais coeso são razões adicionais para a surpresa e preocupação desta tomada de decisão”, acrescenta.