
A apresentação pública foi feita com pompa e circunstância. Era uma sexta-feira, 23 de abril de 2021, e o primeiro-ministro, António Costa, apadrinhou o anúncio de um mega-investimento de 3,5 mil milhões de euros para colocar Sines, e Portugal, no mapa mundial da economia dos dados.
Passados 3 anos, ou longos 1176 dias, a situação é preocupante. A Start Campus não só esteve envolvida indirectamente na queda do Governo socialista através da Operação Influencer, como também falhou nas previsões iniciais para a conclusão da primeira fase da obra. A gestão financeira e contabilística demonstra-se profundamente frágil, contrastando com a imagem de um dos maiores investimentos estrangeiros em Portugal das últimas décadas.
Exemplo disso é o depósito das contas de 2022, que só ocorreu no final de junho com um atraso de 12 meses, prevendo-se um atraso similar para as contas de 2023.O maior problema, porém, não é apenas o atraso. Para uma empresa controlada pelos fundos Foxford Capital (76,5%) e Pioneer Sines (23,5%), onde se esperava uma solidez inquestionável na fase inicial dos investimentos, a descapitalização tornou-se a norma, com os investimentos a serem financiados exclusivamente através da emissão de obrigações.
Conforme as demonstrações financeiras de 2022, a empresa apresentou um prejuízo de 6,5 milhões de euros, que somado aos resultados acumulados dos anos anteriores, empurrou os capitais próprios para um valor negativo de 4,7 milhões de euros. Em outras palavras, a empresa encontra-se em falência técnica.
Numa altura em que projectos relativos a cabos submarinos surgem em Sines, é lamentável que o deveria ser a principal âncora relativa a esses projectos, se encontre num período de indefinição e com rumo errático. É a prova de que governos e autarcas não deveriam apoiar estes investimentos com pompa e circunstância como se fossem um garante de empregos e produção de riqueza, quando boa parte das vezes, não chegam aos patamares mínimos exigíveis para dar o retorno tanto ao país, como à população onde estão inseridos.
Qual o futuro? Essa é a questão a empresa deveria providenciar.