Que dizem os especialistas do sismo da madrugada de hoje?

João Duarte, sismólogo e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e no Instituto Dom Luiz e Jorge Miguel Miranda, geofísico e ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera foram ouvidos pelo Observador em relação ao sismo.

“Há poucas falhas aí conhecidas”, afirma João Duarte, indicando que o epicentro do sismo esteve numa zona onde não há muitos sismos e que está dentro da placa Euro-Ásia.

“Normalmente a nossa sismicidade é um pouco mais a sul, mas há casos de sismos em todo o Portugal Continental e há relatos de alguns sismos com uma magnitude considerável naquela zona, ao largo de Sines. Há poucas falhas aí conhecidas, mas é uma zona com sismicidade.”

Jorge Miguel Miranda, diz que, “do ponto de vista da geologia”, trata-se “das zonas menos compreendidas de toda a tectónica desta região”. “O funcionamento desta região não é muito bem compreendido e temos sismos com alguma frequência de magnitude suficiente para serem bem sentidos. A rede de observação é bastante performante, mas do ponto de vista da tectónica da região ainda há muitas incógnitas à nossa frente”, diz, lembrando que é cedo para apurar o que aconteceu.

“O efeito que um sismo tem sobre nós depende de duas características: da energia que é libertada no epicentro e do comportamento do solo na região em que nos encontramos”, explicou Jorge Miguel Miranda, geofísico e ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

“As zonas que tiveram intensidades mais altas foram em Sines e em Lisboa, ou seja, não tem a ver com a distância apenas, tem a ver também com a geologia do local”, nota, destacando que este “foi o maior sismo sentido em Lisboa desde 1969”.

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