Super-reforço da rede eléctrica em Sines pode pesar nos consumidores.

Trata-se de um investimento superior a 500 milhões de euros, a ser realizado em três etapas até 2031, que permitirá aumentar a capacidade de ligação à rede eléctrica, oferecendo uma potência suficiente para abastecer mais de metade do actual consumo de electricidade em horas de pico (quando a procura é mais elevada).

O projecto, apresentado pela REN (Redes Energéticas Nacionais), visa fortalecer a rede eléctrica em Sines, em resposta à crescente procura de energia proveniente dos grandes projectos industriais anunciados para a região, a maioria relacionados com a descarbonização, por meio da produção de hidrogénio ou amónia verde, e classificados como PIN (Projectos de Potencial Interesse Nacional).

A ministra Graça Carvalho, do actual governo, aprovou os investimentos necessários para reforçar a infraestrutura de transporte de eletricidade para Sines, com uma capacidade de 5,9 GVa (gigavolt ampere, uma unidade de potência que pode equivaler ao gigawatt, GW, em determinadas condições).

Dado que a rede de transporte de electricidade é um activo regulado e remunerado através das tarifas, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) foi chamada a se manifestar com urgência.

No seu parecer, datado de junho, a ERSE não se opôs ao reforço dos investimentos na rede de transporte nacional, considerando a proposta adequada às necessidades dos promotores dos projectos. Contudo, destacou “vários pontos que merecem atenção, tanto por parte do governo quanto da REN”.

O principal risco identificado é a possibilidade de que o aumento de consumo previsto não se concretize, ou seja, que os grandes projectos industriais planeados para Sines não avancem ou sejam adiados, enquanto o investimento na infraestrutura eléctrica segue o seu ritmo.

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