
Faleceu na sua casa em Sines, Assunção Duque. Tinha 77 anos. Natural do Porto, irreverente e inconformada, viveu com entusiasmo o fim da ditadura e os alvores da democracia. Colaborou no semanário Opinião, da oposição democrática e participou na organização do 1º Festival da Canção Popular.
Foi ainda nos anos setenta trabalhar para o Alentejo Litoral, onde se radicou. Trabalhou na Petrogal, na Carbogal, na Câmara Municipal de Sines. Alvo de assédio moral, nunca se resignou e, persistente, fez valer os seus direitos a instâncias judiciais. Aderente do Bloco de Esquerda desde a primeira hora, continuava activa.
Foi candidata à CM de Sines por várias vezes. Militando em condições difíceis nunca esmoreceu, sempre disponível para colaborar, para intervir. Sensível aos problemas à sua volta, foi uma esclarecida activista social. Fundou a “Prosas”, academia sénior; era membro activo da APRE.
Sempre atenta aos problemas locais, indignou-se com a precariedade laboral e os atentados aos direitos dos trabalhadores, esteve no protesto contra as marés negras provocadas pelos derrames nos petroleiros, contra a instalação de uma central incineradora de resíduos tóxicos e perigosos, contra a prospeção e exploração de petróleo ao largo da costa. Voluntariosa, era uma voz fortemente crítica do modelo de desenvolvimento de Sines.