
O triste cenário de encerramento da Indorama, muito mais do que um qualquer sinal económico, é uma marca forte em todos aqueles que ali se dedicaram com esforço e empenho, para o seu funcionamento. Dia 31 de Março, ( Dia do Encerramento), pode ser para alguns um dia normal, para estes trabalhadores, uma marca que fica.
O início do projecto.
Estavamos em 2006. Verão. José Sócrates então Primeiro-ministro e Manuel Pinho, Ministro da Economia, tinha a visão de que as empresas deveriam ter uma espécie de “carimbo ibérico” na sua cooperação. Surgiu a catalã “La Seda Barcelona’ no caminho. Petroquímica espanhola que produzia fibras artificiais e sintéticas nas suas várias unidades. Os dados indicados eram positivos: Um grupo em expansão e um accionista português, Manuel Matos Gil.
Na Caixa Geral de Depósitos (CGD), estavam Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, que deram dimensão financeira à “visão” política. A entrada da Caixa Geral de Depósitos na La Seda foi uma determinação política do governo.
Os dados eram aparentemente todos positivos pois era um grupo em expansão e tinha um accionista português, Manuel Matos Gil dono da Imatosgil.
Nesse ano dá-se a entrada na “La Seda”. Um acordo parassocial é feito entre a CGD e o Grupo Imatosgil para votarem juntos com os seus 15%, e assim concretizar o investimento em Sines, em que o grupo público ficaria responsável por procurar, ou assegurar, financiamento. A unidade de Sines, que ganharia o nome de Artlant PTA, iria produzir ácido tereftálico purificado, o PTA, que é aplicado na produção de politereftalato de etileno, o PET.
Dois anos desde do início:
A 13 de Março de 2008, na inauguração, Sócrates afirmava que “o Estado português tem bem consciência do que Sines significa e, por isso, algumas obras são decisivas para Sines e para o país.”
Pela CGD, já estava Faria de Oliveira. Na altura, o líder da CGD afirmou que a posição na empresa catalã era “instrumental”, servindo para “apoiar o investimento industrial”. O projecto teve selo PIN (Potencial Interesse Estratégico).
Foi neste ano que iniciam as perdas em bolsa, provocadas pela crise do subprime que começara em 2007 nos EUA. A La Seda era cotada em bolsa, pelo que “sentia na pele” esse efeito.Os projectos de expansão fazem com que a dívida suba rapidamente.
Nesse ano, a CGD tem 80 milhões de euros de exposição à La Seda. A CGD iria aumentar a participação na La Seda, cresceu de uma forma repentina e pela conjuntura, ficou fragilmente exposta às variações dos preços das matérias-primas.
Verão de 2009
Nesse verão de 2009, viu-se que era um plano de reestruturação: fosse no sector financeiro, comercial e industrial. Os problemas amontoavam-se: Problemas em Espanha. Construção atrasada. Falta de verbas. Tentou-se dar uma lufada de ar fresco com a entrada de Carlos Moreira da Silva, dono da BA Vidro, que passou a ser o maior acionista da La Seda, com 18% do capital. A CGD passou a ter 14,8% do capital, depois de reconverter créditos em capital. O.BCP, entra na mesma operação para converter um crédito e passa a deter 3,255%.
Segunda parte em breve.