
Segundo avança o Público, uma carta régia assinada por D. Manuel I, que oficializava a atribuição do título de Conde da Vidigueira a Vasco da Gama, foi recentemente leiloada em Londres pela Sotheby’s, mas acabou por não ser vendida.
O documento, que remonta ao auge dos Descobrimentos portugueses, estava avaliado entre 150 mil e 250 mil dólares, mas não atraiu interessados — incluindo o Estado português, que optou por não apresentar qualquer licitação. A peça histórica tinha um valor de abertura fixado em cerca de 94 mil euros, mas o leilão terminou sem qualquer oferta formal. Apesar do reconhecimento do seu inegável valor simbólico e patrimonial, as autoridades portuguesas decidiram não investir na sua aquisição.
Fontes próximas do sector da cultura indicam que o Estado não reservou verba específica nem activou mecanismos legais que permitiriam garantir a permanência deste tipo de bens em território nacional.
Este desfecho gerou alguma perplexidade entre especialistas e cidadãos atentos à preservação da memória histórica do país. A carta representa um marco fundamental na consagração da figura de Vasco da Gama, sendo o reconhecimento oficial da sua contribuição para a expansão marítima portuguesa. A atribuição do condado da Vidigueira a Gama e à sua descendência simbolizou a elevação da sua linhagem à nobreza, numa altura em que Portugal consolidava o seu império ultramarino.
Nas redes sociais, a ausência do Estado português no leilão foi alvo de críticas, com muitos a lamentarem o que consideram uma oportunidade perdida. O director da Biblioteca Nacional de Portugal também terá manifestado preocupação, sublinhando que, embora este tipo de aquisição não gere retorno financeiro direto, tem um valor incalculável em termos históricos e identitários.Sem interessados, o destino imediato do documento permanece incerto. Poderá ser novamente colocado no mercado ou acabar nas mãos de um colecionador privado. Para que Portugal ainda venha a recuperar este importante vestígio do seu passado, será necessário aguardar nova janela de oportunidade, algo que, no mundo dos leilões e do colecionismo, é sempre imprevisível.