Terminal Vasco da Gama: Uma oportunidade para o futuro de Sines e do país.

Tendo lido recentemente o artigo “Terminal Vasco da Gama: Progresso para quem?” , no qual discordei da análise, embora respeite a opinião, decidi demonstrar porque acho, ( tal como o título indica), que o Terminal Vasco da Gama, pode ser uma oportunidade para Sines e para o país.

Foram levantadas várias críticas à construção do Terminal Vasco da Gama, em Sines, questionando a legitimidade do projecto e os seus eventuais impactos sociais e ambientais. Temos de compreender que ainda é meramente um projecto, que foi lançado o seu concurso pouco antes da pandemia, e que por essas e outras circunstâncias, não avançou. O contexto actual é diferente ( embora desafiante), mas não podemos ficar parados à espera das oportunidades.

Embora o debate público em torno de grandes investimentos seja não só legítimo como necessário, é importante apresentar também a outra face da moeda. O Terminal Vasco da Gama não representa de forma alguma uma ameaça, mas sim uma oportunidade estratégica que pode posicionar Portugal de forma decisiva no contexto logístico global, ao mesmo tempo que oferece novas possibilidades de desenvolvimento da região. Sines é já hoje o maior porto nacional em movimentação de carga e um “player” relevante no corredor atlântico europeu.

Com o avanço do novo terminal, Portugal reforça a sua posição como porta de entrada privilegiada entre a Europa e os mercados intercontinentais, nomeadamente a América Latina, a África Ocidental e o sudeste asiático. Este reforço da capacidade portuária é essencial num momento em que o transporte marítimo se reorganiza para responder a novas exigências de eficiência, sustentabilidade e segurança. Localmente, o impacto positivo será significativo. O investimento previsto, ( que se prevê estratosférico ), irá proporcionar ( uma estimativa ) de mais de 1.300 empregos directos, além de muitos outros indirectos. Estes números devem ser lidos não como uma promessa vaga, mas como um impulso real.

O projecto pode, contribuir para fixar trabalhadores, trazer outros, qualificar mão-de-obra e diversificar a economia da região. No que toca às preocupações ambientais, é natural que surjam dúvidas, e é bom que estas sejam avaliadas com rigor técnico. No entanto, a narrativa de “catástrofe ambiental iminente”nem sempre corresponde à realidade. Os estudos de impacto ambiental estão a ser realizados com exigência, e os mecanismos de mitigação e compensação estão previstos na legislação e na prática dos grandes projectos europeus. O combate à erosão costeira, por exemplo, não depende exclusivamente deste projecto em questão, mas depende de uma abordagem integrada e de longo prazo, que o futuro concessionário poderá ajudar a financiar e operacionalizar.

É também importante clarificar que a consulta pública, embora passível de melhoria, foi conduzida nos termos legais e com espaço para participação. O facto de nem todas as sugestões ou objeções terem sido acolhidas não significa que o processo tenha sido ilegítimo.

O interesse nacional e também regional tem de ser ponderado com responsabilidade, e não pode ficar refém de uma lógica de imobilismo. A escolha que se coloca a Portugal não é entre crescimento e preservação, mas sim de um desenvolvimento estratégico, consciente e estruturado, ou a resignação perante a perda de relevância internacional.

O Terminal Vasco da Gama é uma infraestrutura que permitirá ligar Portugal ao futuro, fortalecendo a nossa posição nas cadeias logísticas globais e criando bases sólidas para o progresso económico sustentado. Não é ignorando os desafios que se avança, mas é encarando-os de frente, com ambição e responsabilidade, que se constrói um país mais competitivo, mais coeso e mais justo.

Espero que o concurso avance, e daqui a uns largos anos quando o terminal estiver preparado para funcionar, que seja de facto uma aposta ganha para todos.

Autor: Luis Carvalho.

Deixe um comentário