Porto de Sines: Quebra de 9,9% no tráfego até Abril.

Apesar de ser o principal motor da actividade portuária em Portugal, o Porto de Sines atravessou os primeiros meses de 2025 com resultados negativos.

De acordo com os dados da AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Tramsportes, entre Janeiro e Abril, registou-se uma movimentação total de 14,6 milhões de toneladas, o que representa uma quebra de 9,9% face ao mesmo período do ano anterior, uma perda de 1,6 milhões de toneladas que agravou a tendência já visível no primeiro trimestre.

Este desempenho negativo teve um impacto substancial sobre o sistema portuário nacional, uma vez que Sines detém mais de metade da quota de mercado portuário do país (53,5%). A dimensão do porto e o seu papel estratégico tornam-no um verdadeiro barómetro da saúde do sector marítimo português. A quebra foi particularmente acentuada na carga contentorizada, que totalizou 1 milhão de toneladas a menos face ao primeiro quadrimestre de 2024, representando uma redução de 13,2% nesta tipologia. Também o tráfego de contentores (TEU) recuou de forma significativa, com menos 62 mil TEU (-10%), num total de 562 mil TEU.

Ainda assim, Sines continua a liderar de forma destacada o segmento contentorizado em Portugal, com 56,9% da quota nacional neste tipo de tráfego.No que diz respeito ao tráfego com o hinterland (mercado nacional e exportações/importações directas), Sines movimentou apenas 27,8% dos seus TEU nesse segmento, o que contrasta com portos como Leixões ou Lisboa, onde este valor ultrapassa os 90%. Em contrapartida, Sines domina o transhipment (transferência de carga entre navios), com 92,7% do total nacional, reforçando o seu papel como hub internacional, especialmente em rotas intercontinentais. Os granéis líquidos também sofreram. O Petróleo Bruto, que é movimentado exclusivamente em Sines e representa 12,2% do tráfego portuário nacional, caiu 6,4%. Já os Produtos Petrolíferos reduziram-se em 12,1% (-396 mil toneladas), contribuindo para um desempenho global negativo no segmento de granéis líquidos. Apenas o Gás Liquefeito apresentou um sinal positivo, com um crescimento de 10,7%, confirmando-se como uma das poucas excepções à tendência geral de queda.

Ao nível do movimento de navios, Sines registou 533 escalas entre Janeiro e Abril, o que representa uma quebra de 11,9%. Contudo, manteve-se como o porto nacional com maior arqueação bruta acumulada (25,8 milhões de AB), correspondendo a 41,1% da tonelagem total dos navios que escalam o país. A dimensão média das embarcações que passam por Sines (48,4 mil AB) continua a ser muito superior à dos restantes portos portugueses.

Em síntese, os dados agora revelados pela AMT demonstram que o Porto de Sines, embora continue a ser o colosso da logística marítima em Portugal, enfrenta um início de ano complicado, condicionado por factores económicos externos, queda na procura global e alterações geopolíticas. O seu posicionamento como hub de transhipment mantém-se firme, mas o enfraquecimento dos tráfegos com o hinterland e o recuo em vários segmentos de carga evidenciam os desafios que terá de superar para manter a liderança e relevância a médio prazo.

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