Lado B: “O medo infundado do fim do FMM”.

Sempre que existem eleições autárquicas.em Sines, existe sempre o receio ( a meu ver infundado), de um hipotético fim do Festival Músicas do Mundo. Vamos desmistificar essa sombra: Não irá acontecer. Não haverá ninguém que queira ser o “coveiro” de um Festival que se tem superado e suplantado a cada edição.

Como acontece sempre nestas alturas, começa logo o medo, as conversas nos cafés, os desabafos e alguns artigos. Mais uma vez, sinceramente, acho que esse medo é exagerado. E, acima de tudo, infundado. O FMM não é só um festival. Para quem vive em Sines e na região, ou até para quem, como eu, já faz parte da “família FMM” há anos, aquilo é uma maneira de estar, sentir e viver.

É um espaço onde ouvimos músicas que nunca ouviríamos noutra ocasião, conhecemos culturas de todos os cantos do mundo, vemos o castelo cheio de vida e a cidade transformada. Há uma energia ali que não se explica, só se sente. O FMM faz de Sines o centro do mundo cultural. Por isso, quando se começa a lançar a ideia de que o festival pode acabar, é normal que as pessoas se preocupem. Mas até agora não houve nenhuma decisão concreta nesse sentido, nem acredito que haja.

A conversa surge, mas depois no ano seguinte, lá estamos todos outra vez, sentados no chão, com uma bebida na mão, a ouvir um músico do Mali ou da Colômbia que nunca pensámos conhecer, quanto mais ver ao vivo. Essa é a beleza deste evento. A interligação cultural espontânea.

O que FMM irá sempre precisar, não é de fatalismo, é de apoio. Como se tornou em algo maior, com uma dimensão própria, necessitamos é de dar condições aos festivaleiros, de forma que haja um nível da organização que não perturbe o normal funcionamento desta nossa comunidade. Esse será o principal desafio do próximo executivo, pois só assim a sustentabilidade do Festival irá se manter.

Porque este festival já não pertence só a quem o organiza, pertence a todos nós. É parte da nossa identidade, da nossa memória colectiva, e daquilo que queremos continuar a ser: uma terra aberta ao mundo. O FMM vale sempre a pena. Porque enquanto houver quem o defenda e quem o viva com paixão, o FMM não vai a lado algum.

Autor: André Sousa.

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

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