Momentos FMM 2025: Sahra Halgan

Num alinhamento artístico que atravessa fronteiras políticas e culturais, o FMM abriu espaço a sonoridades oriundas de territórios sem reconhecimento oficial.

Foi o caso da Somalilândia, região que proclamou a sua separação da Somália em 1991, estabelecendo uma administração própria, embora jamais tenha obtido reconhecimento internacional. A sua identidade e memória colectiva fizeram-se ouvir através da interpretação intensa de Sahra Halgan, uma das presenças mais marcantes do certame.

A artista, dotada de uma voz singular e emotiva, subiu ao palco acompanhada por instrumentistas de talento invulgar, cuja sonoridade remetia para paisagens do rock progressivo. A fusão entre a tradição musical da África Oriental e uma abordagem instrumental ousada resultou numa experiência arrebatadora, onde a técnica vocal inusitada de Sahra serviu de ponto de encontro entre passado e modernidade. A actuação, envolta em energia e autenticidade, provocou uma reacção entusiástica no público, que acolheu esta viagem sonora com entusiasmo e comoção.

Sahra Halgan é uma cantora e activista cultural nascida em 1972 em Hargeisa, Somaliland. Começou a cantar na adolescência e foi enfermeira voluntária durante a guerra civil somali, ganhando o apelido “Halgan” (combatente). Exilada na França por anos, retomou a música e lançou vários álbuns que misturam tradição somali com rock, afrobeat e jazz. Em 2013, retornou a Hargeisa e fundou o centro cultural Hiddo Dhawr, dedicado à preservação da cultura local. A sua música é uma forma de resistência e afirmação da identidade do povo somalilandês.

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