
A entrada em vigor do novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia, vai impor tarifas de 15% sobre cerca de 70% dos produtos exportados pelo bloco europeu.
Esta alteração, que substitui tarifas anteriores significativamente mais baixas, ( em média entre 1% e 1,5% ), já começa a gerar incerteza no Porto de Sines, um dos principais eixos logísticos e industriais de Portugal. Apesar de, até ao momento, não haver uma quebra directa na facturação do porto desde do iniciodo ano, conforme referiu Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), os operadores estão a sentir os efeitos de um ambiente comercial mais instável, especialmente nas ligações com os Estados Unidos.
Um dos sectores mais vulneráveis à nova realidade é o segmento contentorizado, que representa uma fatia essencial da actividade do porto. Mais de 60% do movimento de contentores em Sines é feito através de transbordo (transshipment), com ligações a mercados internacionais, incluindo os EUA. Com as novas tarifas, a competitividade dos produtos europeus à entrada do mercado americano diminui, o que pode levar a uma quebra nos volumes movimentados e a uma reconfiguração das rotas marítimas, com impacto imediato na operação do Terminal XXI.
Também o sector energético local se encontra em alerta. A refinaria da Galp, localizada em Sines, exporta anualmente cerca de 1,2 a 1,5 milhões de toneladas de gasolina para os Estados Unidos. O novo cenário tarifário encarece substancialmente estas exportações. Apesar de a empresa considerar a possibilidade de desviar volumes para outros mercados, este processo envolve custos logísticos e incertezas comerciais que acabam por ter reflexos na actividade portuária.
Outro ponto sensível é o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL). Embora o impacto directo ainda esteja por quantificar, existe o risco de a escalada tarifária comprometer investimentos, manutenção e operações associadas a este segmento, crucial para a segurança energética do país. Eventuais alterações no fornecimento ou redistribuição de volumes poderão afectar a previsibilidade e eficiência das operações no terminal.
Rstes desenvolvimentos colocam o Porto de Sines numa posição complexa. Com a imposição de tarifas significativamente superiores às que vigoravam anteriormente, o porto vê-se forçado a adaptar rapidamente as suas operações e a procurar maior diversificação de mercados. O impacto local poderá não ser imediato, mas a médio prazo, há sinais de que as alterações no comércio transatlântico começarão a fazer-se sentir com maior intensidade nas estruturas logísticas, nos fluxos operacionais e na actividade económica associada à plataforma portuária.
Em Sines, o desafio está lançado: manter a resiliência num cenário internacional mais adverso, com menos margem para manobra e maior concorrência por mercados e cargas.