
Em Abril deste ano, como já tinhamos divulgado, o Governo português pretendia integrar Sines no futuro cluster de mobilidade militar, ao lado dos portos de Setúbal e dos aeroportos de Alcochete e Beja.
Este plano visa preparar infraestruturas logísticas para dar resposta às exigências da defesa nacional e das operações da NATO, reforçando a capacidade de mobilização terrestre, aérea e marítima. Sines, pela sua profundidade e dimensão operacional, surge como um dos pontos-chave dessa estrutura.
Contudo, os desenvolvimentos recentes no conflito entre a NATO e a Rússia colocam este enquadramento num novo patamar, segundo o major‑general Agostinho Costa, que mencionado em declarações à CNN Portugal, num cenário de guerra aberta ( Embora não haja sinais considerados fortes ou alarmantes), Portugal poderia desempenhar um papel fulcral na rede logística da Aliança Atlântica. O Porto de Sines seria então designado como SEAPOD — Sea Port of Debarkation, ou seja, um porto prioritário para o desembarque de tropas e equipamento militar aliado. Esta função estratégica advém, em grande parte, da sua posição geográfica atlântica, da sua capacidade de receber navios de grande porte e da eventual inacessibilidade de outras rotas habituais.
Assim, o que inicialmente se desenhava como um projecto de reforço de mobilidade e apoio à interoperabilidade das forças armadas, poderia ganhar agora contornos de urgência geopolítica. Neste hipotético cenário, Sines poderia deixar de ser apenas uma plataforma logística nacional para ser um dos hipotéticos pilares do esforço defensivo euro-atlântico. No entanto, essa mesma centralidade acarreta riscos: a infraestrutura ferroviária limitada e a insuficiente capacidade rodoviária tornam o porto vulnerável a estrangulamentos logísticos.
A falta de acessibilidades eficientes ( que já existem enquanto porto comercial), poderia, em caso de pressão contínua, comprometer a operacionalidade de todo o esforço militar suportado a partir de Portugal. Esta interligação entre o plano nacional de mobilidade militar e o novo cenário estratégico internacional confirma a importância crescente de Sines.
O porto assume um duplo estatuto: como eixo estruturante de um cluster militar português e como eventual gargalo logístico da NATO em caso de um eventual conflito. A conjugação destes factores exige um investimento rápido e coordenado, não apenas no terminal portuário, mas sobretudo nas ligações ferroviárias e viárias que o sustentam.
Contudo apesar do governo ter avançado com este cenário de eventual utilização de Sines para este fim, o conflito entre NATO e Rússia, ainda não passou do nível de ameaças, sanções e episódios diplomáticos, desde da invasão russa à Ucrânia.
Nota: Foto é meramente ilustrativa.