Lado B: “Autárquicas: a exigência que devemos ter.”

As eleições autárquicas são, muitas vezes, vistas como um exercício menor no quadro democrático, quase como uma disputa de proximidade onde o mais importante é “conhecer o candidato” ou “o que fez de relevante”. Mas este olhar simplista já não chega, nem pode servir de padrão de referência.

O poder local tem hoje um peso enorme na gestão de recursos, no planeamento urbano, no investimento social e até na qualidade de vida diária de cada cidadão. Por isso, a exigência com que avaliamos as candidaturas deve ser cada vez maior. Sntes de votar, é essencial olhar para além dos slogans, das promessas tentadoras, até a nível individual para convencer de que apoiar aquela candidatura “vai dar certo”. Prometer casas através da Câmara ou do IHRU, um emprego camarário, ou “facilitação de burocracia”, como se já se fez no passado, não pode ser tido como sério ou honesto.

Importa perceber se as equipas que se apresentam têm verdadeira capacidade de gestão, se sabem lidar com orçamentos, prioridades, processos de contratação pública, fundos comunitários. Não basta a boa vontade ou a simpatia pessoal de que “é uma boa pessoa” ; gerir um município exige profissionalismo, rigor e visão estratégica. Temos de ver também o histórico recente: Se eram eleitos, eram pró-activos? Senão eram eleitos, manifestavam-se durante o período não eleitoral pela melhoria, foram destacados pelo partido, ou só “acordaram” perto das eleições?

Também devemos perguntar: as promessas que ouvimos são exequíveis? Ou estamos perante catálogos de intenções que cabem bem nos panfletos mas nunca verão a luz do dia? A política local não pode viver de ilusões, nem de anúncios feitos apenas para gerar likes e partilhas nas redes sociais. De que serve um candidato com algum “interacção nas redes”, mas se depois não se vê na rua ou não atrai pessoas?.

E depois há o perfil dos candidatos. Precisamos de pessoas com vontade real, pessoas impolutas, sem “rabos de palha” nem passados dúbios que comprometam a confiança pública. A proximidade da política local torna ainda mais crucial este escrutínio: não podemos entregar as chaves da nossa cidade ou freguesia a quem tem contas por esclarecer ou a quem vê a política como um trampolim. Exigir mais das candidaturas não é ser cético em excesso, é ser cidadão consciente. Aliás, deveria ser obrigatório ( que não é, infelizmente), conhecer as declarações de rendimentos e eventuais processos judiciais que possam existir.

As autárquicas são o momento de escolher quem terá impacto directo na nossa vida coletiva. E só uma escolha criteriosa, informada e exigente poderá garantir que o poder local se exerce com seriedade, competência e transparência, e não com promessas vãs e populismos exacerbados.

Autor: Aurélio S.

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

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