
Apesar de a sua relevância ter diminuído, o gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Rússia continua a chegar ao terminal de Sines. Dados até Julho de 2025 indicam que este combustível representou cerca de 7% das importações nacionais de gás liquefeito, um valor modesto quando comparado com o peso de outros fornecedores, como os Estados Unidos ou a Nigéria.
Nos últimos anos, o terminal de Sines registou a entrada de alguns navios russos, embora em número bastante inferior ao de embarcações oriundas de outros mercados. Em períodos anteriores, a presença do gás russo chegou a ser mais significativa, mas a conjuntura internacional e a diversificação das fontes de abastecimento reduziram o seu peso relativo.
A manutenção deste fluxo suscita, no entanto, questões de ordem política e geoestratégica. Num contexto em que a União Europeia procura diminuir a dependência energética face a Moscovo, e em que vigoram sanções e tensões diplomáticas, a continuidade de compras de GNL à Rússia não deixa de ser sensível.O carácter flexível do comércio de gás natural liquefeito ajuda a explicar esta situação. Ao contrário do gás transportado por gasoduto, o GNL é adquirido em navios que podem operar em rotas variáveis, permitindo a chegada de fornecimentos de diferentes origens consoante contratos, preços ou conveniências logísticas. Para os compradores, o gás russo poderá manter alguma atractividade pelo custo ou pela disponibilidade imediata.Por outro lado, a dimensão relativamente reduzida destas importações não altera o panorama mais vasto da política energética nacional, que tem privilegiado fornecedores alternativos e procura reforçar a segurança do abastecimento.
A presença contínua de gás russo em Sines reflecte, assim, uma realidade complexa: embora o seu peso esteja longe de ser dominante, o combustível oriundo da Rússia continua a desempenhar um papel, ainda que secundário, no equilíbrio do mercado português de energia.