
Segundo avança o Público, o Fundo para a Transição Justa, criado pela União Europeia para apoiar regiões afectadas pela transição energética, vai financiar a construção de unidades hoteleiras de luxo em Santo André, Melides e Santiago do Cacém.
O programa, inserido no Alentejo 2030, destina-se a mitigar o impacto económico do encerramento da central termoeléctrica de Sines, mas parte significativa dos apoios acabará por ser aplicada em projectos turísticos de quatro e cinco estrelas.
Do total de 99 milhões de euros atribuídos ao Alentejo Litoral, cerca de 19 milhões serão canalizados para cinco empreendimentos hoteleiros classificados como “sustentáveis”. A inclusão destas candidaturas gerou controvérsia, uma vez que o fundo tem como finalidade principal a reconversão social e profissional das populações atingidas pela descarbonização e não o incentivo ao turismo de luxo.
Enquanto uma pequena parcela das verbas foi aplicada em acções de formação e apoio a antigos trabalhadores do sector energético, a maioria dos investimentos aprovados privilegia a requalificação turística e o desenvolvimento imobiliário de gama alta. Esta orientação levanta dúvidas quanto à coerência da aplicação dos fundos europeus e ao real contributo destes projectos para a transição económica e ambiental do território alentejano.
O debate em torno do destino do Fundo para a Transição Justa ilustra as tensões entre o discurso da sustentabilidade e a prática de investimentos que, embora gerem emprego temporário e atracção turística, podem afastar-se do objectivo essencial de garantir uma mudança equilibrada e inclusiva nas regiões em transição.