
Desde fevereiro de 2022, quando teve início a guerra na Ucrânia, Portugal manteve uma dependência residual, mas ainda presente, das importações de gás natural russo. De acordo com dados recentes, a Rússia foi responsável por cerca de 6% do total de gás natural importado pelo país nesse período, um valor relativamente baixo quando comparado com outros parceiros europeus, mas que revela a persistência de alguns fluxos comerciais.
A última encomenda de gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Rússia chegou ao Porto de Sines em maio deste ano, marcando possivelmente o fim — ou pelo menos uma pausa — das compras portuguesas a este destino. O terminal de Sines, que é o principal ponto de entrada do GNL em Portugal, tem sido fundamental na diversificação das origens do gás, recebendo carregamentos sobretudo dos Estados Unidos, Nigéria, Trinidad e Tobago e Qatar.
Após o início da guerra, o Governo português e as empresas do setor energético reforçaram a estratégia de reduzir a dependência de fornecedores associados a riscos geopolíticos. Esta orientação acompanha a linha definida pela União Europeia, que procurou cortar laços energéticos com Moscovo e acelerar a transição para fontes renováveis.
Ainda assim, o facto de Portugal ter recebido gás russo até meados de 2025 mostra a complexidade das cadeias de fornecimento globais. Mesmo em contextos de tensão política e sanções, alguns contratos antigos e operações intermediadas por traders internacionais permitiram que o gás de origem russa continuasse a circular no mercado europeu.
Actualmente, o peso da Rússia nas importações portuguesas é residual, e o país encontra-se numa posição mais diversificada e resiliente, apoiando-se em rotas atlânticas e acordos com parceiros fora da esfera de influência russa.