Álvaro Beijinha sem maioria absoluta pela 1ª vez enquanto Presidente.

Durante doze anos, Álvaro Beijinha foi o rosto da governação autárquica em Santiago do Cacém. Eleito pela CDU (PCP-PEV), cumpriu três mandatos consecutivos sempre com maioria absoluta.

Com um controlo confortável da Câmara em virtudes das maioria absolutas, Beijinha governou com autonomia, sem precisar de acordos políticos complexoa para aprovar orçamentos ou projectos estruturantes, garantindo estabilidade e continuidade à sua gestão.

Em 2025, em virtude da limitação de mandatos, decidiu mudar de cenário e concorrer à Câmara Municipal de Sines ( apesar de tanto Alcácer como Grândola terem sido dadas como hipoteses). A aposta marcou uma nova etapa na sua carreira, numa cidade com um contexto político mais fragmentado e competitivo. O resultado confirmou o seu peso eleitoral e experiência adquirisaa: Venceu as eleições e devolveu à CDU a presidência da Câmara de Sines, numa votação em que a figura superou o partido, que vinha constantemente a perder votos ao longos das últimas eleições autárquicas.

No entanto, pela primeira vez desde que chegou à política local, Álvaro Beijinha não alcançou a maioria absoluta. A CDU obteve cerca de 40,7% dos votos e elegeu três vereadores, ficando aquém do controlo total do executivo.

O contraste com o seu percurso em Santiago do Cacém é evidente. Durante três mandatos, Beijinha liderou com maioria absoluta, e curiosamente, após ter deixado Santiago do Cacém, a CDU ter perdido a Câmara para o Movimento Independente STC, sinal de mudança no eleitorado local.

Agora, em Sines, embora tenha regressado à vitória, o novo presidente enfrenta uma realidade política diferente: terá de governar sem a margem de manobra que sempre teve, num executivo onde o diálogo e o entendimento com outras forças se tornam indispensáveis.

A oposição por certo terá compreendido a vitória eleitoral da CDU. A CDU também terá de compreender que ao não ter maioria e sem acordo firmado para ter o controlo absoluto do executivo, terão todos de se entender, para bem do concelho.

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