
O porto de Sines, há muito considerado o motor das exportações marítimas nacionais e o principal eixo logístico de Portugal, atravessa um período de travagem acentuada.Em Agosto, o maior porto do país viu o volume de mercadorias movimentadas recuar 3,5%, o que corresponde a uma perda de 147 mil toneladas face ao mesmo mês do ano anterior. Mais preocupante ainda é a tendência acumulada desde o início do ano: Sines soma agora uma quebra de 14,1%, o que equivale a menos cinco milhões de toneladas movimentadas, reduzindo o total para 30,6 milhões.
Com uma quota de mercado superior a metade da carga total movimentada nos portos nacionais ( cerca de 53,3% ), o desempenho de Sines tem um peso determinante nas estatísticas portuárias do país. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) assinala que as perdas no porto foram superiores às de todos os outros portos nacionais somados, revelando um abrandamento transversal às principais tipologias de carga.
Entre os sectores mais afectados estão os produtos petrolíferos, cuja movimentação caiu 35,9%, e o petróleo bruto, que registou uma quebra de 3,1%. Também a carga contentorizada sofreu um golpe de 7,8%, menos 1,3 milhões de toneladas, enquanto os minérios desapareceram completamente do registo, representando uma descida total de 100%. Estes dados confirmam a dependência estrutural de Sines dos fluxos energéticos internacionais e a vulnerabilidade do porto às flutuações nos mercados de combustíveis.
Nos terminais de contentores, o cenário não é mais animador. Sines movimentou 1,2 milhões de TEU até Agosto, menos 97 mil unidades do que no período homólogo, o que equivale a uma queda de 7,3%. No tráfego de transhipment ( um dos pilares da actividade portuária de Sines ), a redução foi ainda mais expressiva, atingindo 11,5%, com 911 mil TEU. Apesar deste quadro negativo, há um ponto de resistência: o tráfego do hinterland, ou seja, o movimento de contentores com origem e destino em território nacional, manteve-se em crescimento de 7,1%, totalizando 322 mil TEU. Este indicador demonstra que, embora o comércio internacional tenha abrandado, o porto continua a afirmar-se como um eixo logístico crucial para o abastecimento interno e a ligação terrestre com o centro e o norte do país.
Ainda assim, a travagem em Sines faz-se sentir em todo o sistema portuário nacional, e o desempenho negativo do porto atenuou o balanço global, que se saldou num aumento residual de apenas 4,9% em Agosto. A perder dinamismo num contexto de transformação dos fluxos energéticos e de crescente concorrência entre portos europeus, Sines enfrenta agora o desafio de diversificar a sua actividade e reforçar o papel estratégico que, durante anos, o colocou na linha da frente do comércio marítimo português.