
Sines, historicamente uma terra de esquerda marcada pela força ( recente ) PS e ( do regresso), do PCP , vive uma transformação política que se tem tornado cada vez mais visível nas urnas. Nas últimas legislativas, o CHEGA protagonizou uma das maiores surpresas em Sines: depois de passar de 3,7% em 2022 para mais de 20% em 2024, o partido venceu no concelho em 2025, conquistando cerca de 26,8% dos votos e ultrapassando forças tradicionalmente dominantes. Muitos sinienses consideraram no dia seguinte, um choque. O discurso nacional do partido, centrado na imigração ( que tem subido na região à boleia dos mais variados projectos), na contenção dos subsídios e na crítica ao sistema político, encontrou eco num território até agora associado à esquerda tradicional, operária e sindical ( apesar de que,a nível autárquico, ainda continue maioritária).
O impacto não se limitou às eleições nacionais. Nas autárquicas deste ano, embora com percentagens muito mais modestas, o CHEGA alcançou um marco simbólico e político importante: elegeu pela primeira vez, representantes na Assembleia Municipal e na Junta de Freguesia de Sines, obtendo cerca de 3,5% dos votos em cada órgão. Apesar de não ter conquistado lugares na Câmara Municipal, esta presença institucional marca a passagem do partido de força residual para o palco político com assento e alguma visibilidade.
A ascensão gradual do CHEGA em Sines revela um realinhamento gradual do eleitorado e reflete preocupações emergentes, como o impacto da imigração, a pressão sobre serviços públicos e a percepção de mudança acelerada no concelho. Num município que durante décadas foi visto como bastião da esquerda, esta nova expressão eleitoral mostra como Sines se tornou um reflexo das dinâmicas nacionais: Um território onde o voto está mais fragmentado e onde discursos deste género encontraram espaço para crescer aos poucos.