
Sines vive um momento decisivo, como ja teve outros momentos na sua história. É uma cidade em expansão, com peso industrial e portuário, mas onde coexistem necessidades muito concretas do quotidiano.
Por isso mesmo, torna-se difícil compreender porque continua sem um Orçamento Participativo ( OP ), uma ferramenta que tantas autarquias portuguesas já adoptaram para aproximar decisões públicas dos cidadãos.
O Orçamento Participativo permitiria aos sineenses e portocovenses influenciar pequenas obras e projectos que fazem diferença real: Melhorias em espaços públicos, propostas culturais, mobilidade suave, arranjos urbanos, iniciativas comunitárias. Ninguém conhece melhor os problemas da cidade do que quem nela vive. E é justamente essa inteligência colectiva que o OP aproveita.
Mais do que um mecanismo administrativo, trata-se de um exercício de cidadania. O processo obriga a debater, priorizar e discutir ideias, formando cidadãos mais informados e envolvidos. Numa cidade com a importância estratégica de Sines, essa aproximação é indispensável. Os argumentos contra o OP: burocracia, impacto orçamental reduzido, perdem força perante a experiência de outros municípios, que mostram que o modelo pode ser simples, eficiente e adaptado à escala de cada câmara. O valor democrático e simbólico do processo supera largamente o investimento.
Se Sines quer afirmar-se como território de modernidade e inovação, deve também modernizar a forma como ouve os seus habitantes. Implementar um Orçamento Participativo seria um passo natural, coerente e necessário. A cidade só tem a ganhar com cidadãos que não são meros espectadores, mas parte activa das decisões.
Não sabemos se este instrumento autárquico vai ser englobado no próximo orçamento, mas sem dúvida que seria um sinal de confiança do novo executivo, na população que ajudou a eleger.
Autor: Carlos Santos
Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.