
A progressiva normalização da navegação no Canal do Suez poderá ter efeitos relevantes na reorganização das rotas marítimas internacionais, com impacto directo no segmento contentorizado do Porto de Sines, particularmente no tráfego de transhipment, onde a concorrência internacional é mais intensa.
Durante os meses em que a insegurança no Mar Vermelho condicionou as rotas marítimas internacionais, Sines beneficiou de desvios operacionais e de uma maior procura por alternativas fiáveis no Atlântico. No entanto, com a retoma da fluidez no Suez, os armadores tenderão a reorganizar os seus serviços, aproximando-os novamente do Mediterrâneo, onde os portos marroquinos surgem hoje com claras vantagens estruturais.
Plataformas como Tanger Med apresentam uma localização mais directa nas principais rotas Este-Oeste, associada a elevados níveis de eficiência operacional, custos competitivos e uma forte integração logística e industrial. Estes factores reforçam a atractividade de Marrocos enquanto hub de transhipment e distribuição, num contexto de normalização do comércio marítimo global.
Neste quadro, Sines enfrenta o risco de ver reduzido o seu peso no tráfego de transbordo internacional, sobretudo se não conseguir reforçar a sua capacidade de captação de novos serviços regulares. A limitação do hinterland, a fragilidade das ligações ferroviárias internacionais e a elevada dependência das estratégias dos grandes grupos de shipping tornam o porto mais vulnerável quando a pressão concorrencial se intensifica.
É um desafio adicional aos que já existem para a APS, nomeadamente na sua própria agenda e nos desafios das novas estratégias para o enquadramento futuro do porto sem esquecer os desafios laborais que tem sucedido durante este ano.