
O projecto de uma central de dessalinização em Sines começou a ganhar forma, depois de a Águas de Portugal ter avançado com os primeiros procedimentos necessários à sua concretização.
A empresa pública lançou o concurso para a realização dos estudos técnicos e ambientais que irão sustentar a futura decisão de investimento. A infraestrutura, cuja entrada em funcionamento está apontada para 2031, pretende reforçar a capacidade de resposta do sistema de abastecimento de água do Alentejo Litoral, numa região cada vez mais pressionada pela escassez hídrica e pela intensificação da actividade económica e industrial.
De acordo com a Águas de Portugal, a futura dessalinizadora não substituirá as actuais origens de água, funcionando antes como um recurso complementar, destinado a aumentar a segurança do sistema, sobretudo em cenários de seca prolongada e de maior consumo. A iniciativa insere-se na estratégia nacional para a gestão sustentável da água, alinhada com os objectivos de adaptação às alterações climáticas e com os investimentos previstos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. A localização em Sines reflecte a importância estratégica do território, onde se concentram projectos industriais, energéticos e logísticos de grande escala.
Com esta etapa, o Governo e a Águas de Portugal assumem que a dessalinização passa a fazer parte do leque de soluções consideradas para garantir o abastecimento futuro, num contexto em que os recursos hídricos tradicionais revelam sinais crescentes de vulnerabilidade.