Galp: Contestação por parque eólico destinado ao hidrogénio verde em Sines.

O plano estratégico da Galp para a descarbonização da refinaria de Sines encontrou oposição, onde o projecto do Parque Eólico das Cachenas está a ser alvo de duras críticas por parte de associações ambientalistas e forças políticas.

A infraestrutura, desenhada para alimentar a futura unidade de produção de hidrogénio verde, prevê a instalação de 19 aerogeradores de grande envergadura, com cerca de 200 metros de altura cada, que ainda apanha o concelho de Sines. A polémica estalou devido à localização de parte destas torres em zonas de elevada sensibilidade ecológica, nomeadamente em áreas integradas na Rede Natura 2000 e na Zona Especial de Conservação (ZEC) da Costa Sudoeste.

A associação ZERO, uma das vozes mais activas neste processo, emitiu um parecer negativo durante o período de consulta pública, que terminou em meados de Janeiro, sustentando que a implementação deste parque eólico em território protegido causará danos irreversíveis na biodiversidade local e um impacto visual desproporcionado numa paisagem de alto valor patrimonial. No mesmo sentido, o Bloco de Esquerda levou a questão ao debate público, questionando a validade de uma transição energética que, em nome do combate às alterações climáticas, sacrifique ecossistemas frágeis e espécies protegidas. Os críticos sublinham que, embora a produção de hidrogénio verde seja um objectivo nacional necessário, a escolha do local para a produção da energia renovável que o sustenta não pode ignorar os instrumentos de ordenamento do território nem as restrições ambientais vigentes.

Por seu turno, a Galp defende a imprescindibilidade do projecto para o sucesso do GalpH2Park, o complexo de hidrogénio que visa substituir o actual consumo de hidrogénio cinzento na refinaria. A petrolífera argumenta que o regime de autoconsumo proporcionado pelo Parque das Cachenas é tecnicamente fundamental para garantir a competitividade do projecto e para atingir a meta de redução de 110 mil toneladas de emissões de CO2 por ano.

Este investimento, que conta com o apoio financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do Banco Europeu de Investimento, está agora dependente da decisão da Agência Portuguesa do Ambiente, que terá de avaliar se os benefícios da produção de combustível limpo compensam os prejuízos ambientais directos apontados pelas populações e especialistas.

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