Galp aponta para o 2°semestre o início da produção de hidrogénio verde em Sines

A unidade industrial de Sines prepara-se para acolher, na segunda metade de 2026, as primeiras operações de produção de hidrogénio verde da Galp, um marco que assinala a transição efectiva da refinaria para novas matrizes energéticas.

O projecto, que assenta na instalação de electrolisadores de larga escala, visa a descarbonização das operações industriais e a criação de uma base sólida para a exportação de combustíveis sintéticos, aproveitando a localização estratégica do porto. A administração da petrolífera reforçou que o cronograma se mantém inalterado, sublinhando que a infraestrutura está a entrar na fase final de testes técnicos para garantir a estabilidade do fluxo energético a partir de fontes renováveis. A viabilização deste projecto de hidrogénio integra-se num plano de investimento mais vasto que procura converter o complexo de Sines num polo de energia sustentável, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e alinhando-se com as metas climáticas europeias. A produção em larga escala de hidrogénio verde é vista como o catalisador para atrair outras indústrias de ponta para a região, nomeadamente no sector dos transportes marítimos e da logística pesada, que requerem alternativas de baixa emissão.

Este avanço tecnológico da Galp coincide com o esforço de modernização das infraestruturas portuárias da APS, criando uma sinergia entre a produção de energia limpa e as necessidades operacionais de um porto que se quer afirmar como o hub de referência para a economia verde no Atlântico Sul. A estratégia da empresa passa por integrar esta nova capacidade produtiva na rede de distribuição já existente, permitindo que Sines funcione como um laboratório vivo para a economia do hidrogénio à escala global.

O início da operação no 2° semestre de 2026 permitirá aferir a eficiência dos sistemas de armazenamento e a capacidade de resposta à procura crescente por vectores energéticos descarbonizados, num momento em que a pressão para a substituição do gás natural em processos industriais é cada vez mais acentuada. Este investimento não se limita à vertente tecnológica, implicando uma profunda reestruturação de competências locais e a afirmação de Portugal na cadeia de fornecimento de gases renováveis, consolidando a ZILS como um centro de inovação energética.

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