Portugal poderá voltar a receber GNL russo em Sines no final da semana

Portugal poderá voltar a receber, no final desta semana, uma nova descarga de gás natural liquefeito (GNL) de origem russa no terminal de Sines, após um período de vários meses sem entradas deste tipo.

A operação, a confirmar-se, envolve um metaneiro proveniente da rota do Ártico russo, associada à península de Yamal, e terá como destino a infraestrutura da REN em Sines, que funciona como principal porta de entrada do gás importado no sistema nacional, permitindo a descarga, armazenamento, regaseificação e injecção na rede.

O eventual regresso de carregamentos russos surge num contexto europeu particularmente sensível. Apesar de o GNL russo ainda ter circulado em alguns mercados comunitários, a União Europeia tem vindo a apertar o cerco político e regulatório a este fornecimento, com a intenção de cortar de forma progressiva a dependência energética da Rússia e de limitar a exposição a contratos e fluxos considerados estratégicos.

Em paralelo, Portugal tem sustentado que dispõe de uma carteira de fornecedores diversificada, com maior peso de origens alternativas, mantendo o gás russo como uma parcela minoritária no conjunto das importações, ainda que com registos de entradas pontuais em anos recentes. Nos últimos anos, as descargas em Sines associadas a esta origem foram ocorrendo de forma episódica e, em alguns períodos, com cadência de poucas operações por ano, o que tem alimentado o debate sobre a coerência entre a meta europeia de ruptura com a Rússia e a continuação de movimentos pontuais no mercado, mesmo quando os volumes representam uma fatia relativamente reduzida do total importado.

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