
O valor por bilhete no Carnaval de Sines está a gerar algum debate, sobretudo num ano simbólico em que a festa celebra o seu 100.º aniversário e conta com um reforço significativo do apoio financeiro do Município.
Segundo dados divulgados pela autarquia, o apoio municipal ao Carnaval aumentou de cerca de 157 mil euros em 2025 para aproximadamente 208 mil euros em 2026. Este montante inclui 75 mil euros atribuídos directamente à Associação de Carnaval de Sines, bem como cerca de 133 mil euros em despesas assumidas pelo próprio Município, nomeadamente com iluminação, vedações, instalações sanitárias, animação, segurança e divulgação.
Este reforço público surge num contexto em que os foliões são chamados a pagar um valor de entrada superior ao praticado em vários outros carnavais portugueses, onde os bilhetes se situam frequentemente entre 2 e 4 euros, ou onde parte significativa da programação é de acesso livre. Esta diferença tem levado alguns participantes a questionar se o aumento do apoio público deveria reflectir-se num custo mais reduzido para o público, sobretudo tratando-se de uma festa com forte tradição popular.
Por outro lado, importa reconhecer que a organização de um Carnaval com a dimensão e ambição do de Sines implica custos elevados, desde a logística à segurança, passando pelas infraestruturas necessárias para garantir condições adequadas a milhares de visitantes. O reforço do investimento municipal demonstra, precisamente, o reconhecimento da importância cultural, social e económica do evento para a cidade.
A questão que se coloca não é, por isso, apenas o valor do bilhete, mas o equilíbrio entre o financiamento público e o acesso da população a uma festa que é, historicamente, sua. Num ano tão simbólico, marcado pelo centenário, o debate sobre o preço acaba por reflectir uma preocupação mais ampla, que é garantir que o Carnaval de Sines continue a crescer, sem perder o seu carácter popular e inclusivo.
Entre o esforço financeiro da autarquia e o contributo pedido aos foliões, o Carnaval continua a afirmar-se como a maior festa da cidade, ( a par do FMM) e também como um espelho das escolhas e prioridades colectivas que moldam o seu futuro. Amar o Carnaval, também é amar Sines.