Sines arrisca perder carga para Marrocos quando o Suez normalizar.

O porto de Sines pode enfrentar um período mais difícil quando a navegação voltar a estabilizar no Canal do Suez e as grandes transportadoras deixarem de contornar África pela rota do Cabo.

O alerta é feito por agentes de navegação e por um especialista em economia do mar, que consideram que a vantagem momentânea de Sines, reforçada pelo desvio de rotas provocado pela instabilidade no Mar Vermelho, pode esbater-se rapidamente se o tráfego regressar aos corredores tradicionais. Nos últimos meses, a insegurança associada a ataques a navios comerciais levou muitas companhias a evitar o Mar Vermelho, escolhendo trajectos mais longos. Esse desvio funcionou, em parte, como “amortecedor” para alguns portos atlânticos, incluindo Sines.

Porém, se o Suez retomar níveis próximos dos anteriores, parte dessa carga pode voltar a concentrar-se no Mediterrâneo e, sobretudo, em plataformas altamente competitivas do Norte de África. É neste cenário que surge a comparação com Marrocos. Portos como Tânger Med têm vindo a afirmar-se como hubs de transbordo e de ligação a mercados africanos, podendo captar contentores que hoje passam por rotas alternativas. Paralelamente, as novas regras ambientais europeias são vistas como um factor adicional de pressão a curto prazo, porque aumentam custos e exigências às cadeias logísticas que operam na esfera europeia, tornando ainda mais agressiva a concorrência de plataformas fora da UE.

O aviso não significa que Sines deixe de ter valor estratégico, mas aponta para um risco concreto: quando a normalidade voltar ao Suez, o porto terá de competir num tabuleiro mais duro, onde a eficiência, o custo total da escala e a capacidade de atrair serviços regulares podem determinar se a carga fica na costa portuguesa ou se é desviada para hubs africanos.

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