
Pelas reacções ao nosso artigo de ontem, os sineenses foram surpreendido com os dados que foram dados a conhecer no RASI – Relatório Anual de Segurança Interna, no âmbito da Administração Interna do Governo da República Portuguesa.
Uns mencionaram em comentários, percepções erradas ou perplexidade, mas os dados são trabalhados com factos e não com emoções. A verdade é que, ingestão, Sines voltou a surgir em evidência quando se comparam os dados mais recentes da criminalidade, num retrato que mostra continuidade entre 2024 e 2025.
Em 2024, o concelho registava 59,9 crimes por mil habitantes, bastante acima da média nacional de 33 por mil, o que já o colocava num patamar elevado no contexto do país. Em 2025, Sines manteve-se entre os concelhos com maior incidência relativa de criminalidade, num ano em que, a nível nacional, a criminalidade geral participada subiu 3,1%, ao mesmo tempo que a criminalidade violenta e grave desceu 1,6%. Já em 2024, o quadro nacional tinha sido diferente, com a criminalidade geral a descer 4,6% e a criminalidade violenta e grave a subir 2,6%.
A leitura destes números, no caso de Sines, deve ser feita com prudência e sem simplificações apressadas. Trata-se de um concelho com forte actividade portuária, industrial e logística, com circulação diária de trabalhadores, transportadores e população flutuante que ultrapassa largamente a simples contagem dos residentes. Isso significa que a pressão real sobre o território pode não ficar totalmente reflectida na base demográfica usada para calcular a taxa por mil habitantes, o que ajuda a enquadrar melhor a posição do concelho nos rankings estatísticos. Por isso, mais do que apontar responsabilidades ao plano municipal, estes indicadores remetem sobretudo para um desafio mais vasto de política de segurança interna, prevenção, presença policial, investigação criminal e adequação de meios do Estado às especificidades de territórios com grande intensidade económica e mobilidade diária, como sucede em Sines. Ou seja, a discussão está menos no domínio estrito da gestão autárquica e mais na capacidade de resposta das estruturas governamentais e das forças de segurança perante realidades locais que exigem atenção diferenciada. Esta parte é uma inferência sustentada pelo contexto estatístico e pelo modo como o próprio RASI enquadra a evolução nacional da criminalidade. Fonte: RASI 2024 e RASI 2025, Relatório Anual de Segurança Interna, no âmbito da Administração Interna do Governo da República Portuguesa.