
Segundo avança o Expresso, a REN – Redes Energéticas Nacionais cortou para metade o seu plano de investimento na rede de gás natural. O Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Gás Natural (PDIRGN) para o período 2020-2029, proposto pela empresa, acaba de ser colocado em consulta pública pelo regulador da energia, traçando nos seus projectos essenciais um investimento de 23,7 milhões de euros. O anterior plano, relativo ao decénio de 2018 a 2027, propunha investimentos de 45 milhões de euros.
Os projectos de base da REN, que abrangem melhorias na rede consideradas prioritárias para garantir a segurança do sistema de gás natural, concentram-se todos no período de 2020 a 2024 (tal como no anterior plano esses projectos de base se concentravam no período de 2018 a 2022), com um investimento médio anual de 4,7 milhões de euros.
Este corte nos investimentos a realizar na rede de gás natural deverá beneficiar os consumidores de energia, embora não seja para já possível determinar que parte dessa poupança será capturada pelas famílias e que parte beneficiará os clientes empresariais.
Se este novo plano for aprovado, estima a REN, os seus proveitos permitidos irão baixar 0,2 euros por megawatt hora (MWh), o equivalente a um corte de 8% na sua remuneração como operador da rede de gás natural. O impacto no consumidor final será mais ligeiro, uma vez que as tarifas que famílias e empresas pagam nas suas faturas de gás são compostas não só pelo custo das infraestruturas mas também pelo preço da energia (o gás natural propriamente dito).
A redução nos investimentos na rede de gás espelha o grau de desenvolvimento das infraestruturas, criadas na década de 1990 para servir dois grandes tipos de clientes: o consumidor final (como as indústrias e as famílias) e o sector elétrico (para abastecer as centrais de ciclo combinado que queimam gás natural e as centrais de cogeração). Com o passar dos anos, as necessidades de investimento na rede, que se concentra no litoral do país, vão sendo menores.