O que pensam os partidos da demissão de António Costa?

Para além do impacto que a demissão apresentada pelo Primeiro-Ministro e a expectativa sobre as decisões do Presidente da República, qual o posicionamento dos partidos perante a actual situação?

O maior partido da oposição, o PSD ainda não reagiu à demissão do primeiro-ministro, tendo convocado a sua Comissão Permanente para posteriormente pronunciar-se.

Da parte do Chega, o seu Presidente André Ventura defendeu que a marcação de eleições legislativas é o único cenário possível, na sequência da demissão do primeiro-ministro, e pediu ao Presidente da República que as convoque “o mais depressa possível”.

A Iniciativa Liberal, através do seu Presidente Rui Rocha, defende que: “Não há outra solução” sem ser dissolver o parlamento e convocar eleições, para quem “não havia nenhuma condição” para António Costa continuar em funções. “Hoje não é apenas o fim político de António Costa como primeiro-ministro, é também o fim de uma solução para o país que não funcionava”, afirmou.

O Livre, por via do seu deputado único, Rui Tavares, afirmou estar preparado para todos os cenários, mas escusou-se a falar em eleições antecipadas por entender que este é ainda “o tempo do Presidente de República”.

O PAN, através da sua deputada única afirmou que: “Vamos ouvir o senhor Presidente da República e compreendemos, aliás, o senhor primeiro-ministro deixou bem claro que, havendo esta suspeição, não há condições para continuar em funções, seria muito difícil para a credibilidade do cargo”, O partido quer ouvir as soluções que Marcelo possa ter em cima da mesa “além da possibilidade da dissolução da Assembleia da República” para perceber “o que tem em mente”.

O PCP, através de Paulo Raimundo, o seu secretário-geral, assumiu-se pronto para ir a eleições antecipadas, caso seja essa a decisão do Presidente da República na sequência da demissão do primeiro-ministro António Costa. No entanto, Paulo Raimundo considera que o que o país precisa “é de soluções”, como precisava “há um ano e meio”, quando Marcelo Rebelo de Sousa convocou as eleições que deram a maioria absoluta ao PS.

O Bloco de Esquerda através do seu deputado Pedro Filipe Soares, afirmou que perante o “conjunto de notícias que dão conta de detenções e de investigações em curso” nos negócios do lítio, pede à Justiça que actue sem olhar a cargos políticos. “Apure-se o que houver a apurar, investigue-se o que houver para investigar e indique-se as responsabilidades que houver a indicar. Desse ponto de vista, a Justiça deve ser célere, rápida, justa, doa a quem doer, sem poupar ninguém que tenha responsabilidades. Esta é a posição do Bloco de Esquerda, com base na informação muito parca que temos, neste momento. Há muito ainda por saber”.

O CDS, através do seu Presidente Nuno Melo, espera agora que o Presidente da República opte pela dissolução da Assembleia da República e por eleições antecipadas. “No final de dezembro do ano passado, o CDS já tinha pedido a dissolução do Parlamento, por acharmos que em cima de várias outras crises políticas e demissões, que o Governo não tinha capacidade de se regenerar. O Senhor Presidente da República entendeu não dissolver o Parlamento, mas disse que se António Costa saísse havia dissolução do Parlamento. Agora o Doutor António Costa caiu e em coerência com as palavras do Presidente da República não me parece que a decisão seja outra”.

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