
Enquanto Portugal e o Mundo andavam à volta com a pandemia, nesse difícil ano de 2020, em maio desse mesmo ano, era aprovada em Conselho de Ministros, a chamada EN-H2, Estratégia Nacional para o Hidrogénio. No centro desse megaprojecto? Sines.
O plano? Um investimento total previsto de 7 mil milhões. Nesta fase ficaria pelos 4,5 mil milhões, de onde 85% deste montante seria proveniente de entidades privadas.
O plano elaborado de infraestruturas indicava uma unidade industrial de eletrolisadores, (equipamento que realiza a eletrólise), estavam também na calha outros projectos, como o Fusion Fuel, (Método inovador para produção de hidrogénio verde, de baixo custo), a instalação de uma Comunidade de Energias Renováveis, a produção de amónia verde, ou a captura de dióxido de carbono e o tão badalado “data center”.
Da parte do Governo, havia um entusiasmo e euforia tremendas em relação a projecto do hidrogénio verde, pese avisos de que apesar de ser uma tecnologia exequível e minimamente estruturada, que ainda faltavam etapas para um desenvolvimento total.
Na altura, António Costa, defendeu que Sines podia ser um “campeão da produção de hidrogénio ‘verde'” na Europa. João Pedro Matos Fernandes, o então Ministro do Ambiente afirmava que esta indústria tinha: “..potencial para dinamizar um novo ecossistema económico, aliado ao enorme potencial de descarbonização”.
A importância dada pelo Governo, revelava-se no projecto das GOP – Grandes Opções do Plano para 2021, que assinalava uma candidatura ao Projecto Importante de Interesse Europeu Comum Hidrogénio, a ser apresentado no decorrer do 2° Semestre daquele ano e que o projecto industrial de produção em Sines iria iniciar-se em 2021. Ou seja uma “enorme pressa” para o avanço do projecto.
Ainda em 2020, começaram a suceder situações mais complicadas, que eram indicadores de que algo poderia não estar no caminho. Isto porque em Novembro desse ano, uma noticia da Revista Sábado dizia que o Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e o então Secretário de Estado da Energia, João Galamba, estavam sob investigação sobre este projecto em Sines, mas o inquérito da PGR – Procuradoria Geral da República (PGR), não possuia confirmação de quaisquer arguidos.
Na altura, Pedro Siza Vieira e João Galamba, manifestavam intenções de apresentar queixa-crime por eventual denúncia caluniosa, tendo rejeitado qualquer envolvimento.
Já na recta final de 2021, foi anunciada que a produção de hidrogénio renovável em Sines ia avançar através do GreenH2Atlantic, consórcio de 13 empresas e parceiros de investigação, denominado GreenH2Atlantic, onde estavam EDP, Galp, Martifer e Engie, Bondalti, Vestas, McPhy e Efacec. O consórcio foi escolhido para financiamento do fundo Horizonte 2020 – Green Deal, num investimento de 30M€, para a construção da unidade de hidrogénio, na central termoeléctrica de Sines, após a desactivação.
O consórcio internacional MadoquaPower2X, liderado pela empresa portuguesa Madoqua Renewables também manifestou na altura a intenção de investimento de 1.000 milhões de euros num projecto de produção de hidrogénio e amónia verdes em Sines, tendo no mês passado aumentado o valor para 2,8 mil milhões ( um a créscimo de 1,5 mil milhões por parte do consórcio para a segunda fase do mega projecto, que somou-se aos então 1,3 mil milhões anunciados.