
Nos últimos anos, os projectos de hidrogénio em Sines têm ganhado destaque como catalisadores essenciais para a transição energética em Portugal e além, e muito se tem falado no impacto destes projectos no próprio concelho.
Do ponto de vista energético, estes projectos, com a sua capacidade de produzir energia limpa e renovável, dá a visão do hidrogénio como uma peça fundamental no quebra-cabeça da tão insistentemente mencionada descarbonização que tem sido visto por muitos como o “Santo Graal ” de uma economia mais sustentável e ecológica.
Sines, indicado com o ponto nacional estratégico preferencial, derivado das suas particularidades únicas como a sua infraestrutura portuária robusta, a proximidade com fontes de energia renováveis e o próprio ecossistema industrial presente.
O avanço dos projetos de hidrogénio em Sines tem duas questões que têm de ser bem geridas: Por um lado, a captação do investimento para a sua concretização, principalmente no investimento estrangeiro, como tem acontecido, sem desprezar o apoio público, se bem que este não deverá ser o meio de financiamento preferencial, para além de ter de ser altamente escrutinado, para evitar dúvidas que posteriormente travem os projectos. Projectos que têm de ser reais, palpáveis e exequíveis, algo que o projecto H2Sines.RDAM não era, porque o custo associado não justificaria o projecto em si, tendo em conta que as unidades locais se vão proliferando.
A outra questão é o compromisso de investidores e parceiros estratégicos. Empresas nacionais e internacionais presentes na zona ( Ainda ligadas ao anterior modelo industrial e com largo apoio da energia fóssil), não desistam de ultrapassar os próprios obstáculos e continuar o caminho para viabilizar iniciativas, contribuindo com conhecimento técnico e financeiro para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura necessária. Aos “novos” que vêm Sines como uma oportunidade, que vejam a mesma como uma oportunidade decontribuição relevante para o tecido empresarial mais amigo do ambiente e positivamente envolvente.
Tudo isto tem outros tipos de obstáculos. Sines é um concelho que não tem capacidade para devidamente receber com a necessidade a imensidão de pessoas relacionadas com estes projectos. Capacidade de resposta perante a habitação, a nível de saúde, infantários, estruturas de espaço público, ocupação, lazer e cultura.
Há uma visão que já deveria ter sido despoletada para poder “abraçar” e receber todos os projectos. Sines não pode ser “Sines.1” quando tem aspiração de ser “Sines.3”. Os obstáculos de falta de ambição e visão também matam projectos.