Transição Energética: Sines precisa de 60% da eletricidade do país.

A transição energética possui pelo menos duas dimensões. A primeira exige a instalação de mais painéis solares e parques eólicos, que utilizam o sol e o vento como fontes de energia. Como essas fontes são intermitentes, será necessário modificar a gestão das redes elétricas.

A segunda dimensão é a descarbonização das estruturas existentes que atualmente utilizam combustíveis fósseis, como edifícios, indústrias e transportes. O objectivo é substituí-los por eletricidade renovável proveniente de painéis solares, parques eólicos e barragens. Isso exigirá redes elétricas mais robustas, capazes de transportar maior quantidade de energia, e também uma expansão das redes para alcançar áreas do país onde o consumo elétrico era anteriormente menos intensivo.

Sines é um bom exemplo. De acordo com o Expresso, pelas contas do agora ex-presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Filipe Costa, os projetos de descarbonização em curso nesta região até 2030 — tanto nas indústrias existentes como para novas unidades — vão precisar de 30 TWh de eletricidade, ou seja, mais de metade dos 50,7 terawatt hora (TWh) consumidos em todo o país em 2023, segundo dados da Redes Energéticas Nacionais (REN). Só para produzir hidrogénio verde contam-se cinco projetos: o H2 da Galp para descarbonizar a refinaria; o GreenH2Atlantic da EDP e da Galp a construir na antiga central a carvão; o H2 Sines da Engie/Shell; o MadoquaPower2X e o NGreen Hydrogen Sines, que precisa de produzir hidrogénio para alimentar a fábrica de e-metanol, um combustível verde. Há depois outros investimentos que não são de energia, mas que consomem muita, por exemplo, os centros de dados.

“E isto são só alguns dos principais projetos que temos num dos mais de 300 municípios do país”, repara Filipe Costa. Há outras zonas, como Setúbal, para onde estão previstos projetos “eletrointensivos a eletricidade verde”, como as fábricas de hidróxido de lítio para a produção de baterias para carros elétricos; das baterias e dos precursores e cátodos dessas baterias. Ou seja, pelas contas do anterior responsável da AICEP, aos 30 TWh dos projetos de Sines há que juntar cerca de 20 TWh dos investimentos noutros pontos do país, o que significa que, em 2030, o consumo de eletricidade em Portugal pode mesmo duplicar.

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