Gás russo já só representa 5% do que chega a Sines, revela Presidente da APS.

O gás natural proveniente da Rússia representa actualmente apenas cerca de 5% do total que chega ao Porto de Sines, segundo revelou Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), numa recente entrevista ao Negócios.

A redução é significativa e reflecte as profundas mudanças ocorridas no sector energético europeu desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, que levou a União Europeia a procurar alternativas à dependência do gás russo.

De acordo com Pedro do Ó Ramos, apenas três navios russos de gás natural liquefeito (GNL) utilizaram a infraestrutura portuária de Sines no último ano, o que demonstra o esforço de diversificação das fontes de abastecimento. Sines, o maior porto energético português e uma das principais portas de entrada de gás natural liquefeito na Península Ibérica, tem vindo a reforçar o seu papel estratégico no novo mapa energético europeu.

Nos últimos anos, Portugal tem apostado na diversificação dos fornecedores, recebendo GNL de países como os Estados Unidos, Nigéria, Trinidad e Tobago ou Qatar. Esta mudança não só assegura maior segurança energética, como também posiciona o país como um importante ponto de reexportação de gás para outros mercados europeus.

A redução da presença do gás russo em Sines acompanha a tendência europeia de diminuição drástica das importações de energia da Rússia, que antes da guerra representavam cerca de 40% do consumo de gás natural na União Europeia. A transição tem sido apoiada por investimentos em novas infraestruturas, nomeadamente terminais de GNL e interligações transfronteiriças, que permitem maior flexibilidade no abastecimento.

No essencialz há um esforço do porto em contribuir para garantir o abastecimento em tempos de instabilidade geopolítica e para reforçar a autonomia energética face à Rússia.

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