Álvaro Beijinha alerta para pressão dos grandes investimentos e expõe dificuldades em Sines.

Numa entrevista ao Jornal ECO, o Presidente da Câmara Municipal de Sines deixou um alerta claro sobre os efeitos que os grandes investimentos em curso e previstos para o concelho já estão a ter no território, defendendo que o crescimento económico não está a ser acompanhado, à mesma velocidade, pelas respostas públicas necessárias.

A principal preocupação apontada passa pela habitação. O aumento da procura e a escassez de oferta estão a agravar as dificuldades para quem procura viver em Sines, num mercado cada vez mais pressionado pela chegada de trabalhadores, quadros técnicos e empresas associadas aos novos projectos industriais, energéticos e tecnológicos. Mas o problema, na leitura do autarca, não se fica pela questão habitacional. A pressão faz-se sentir também nas acessibilidades, na mobilidade, nos equipamentos e nos serviços públicos, num concelho que ganhou uma nova centralidade económica sem que isso tenha sido acompanhado por um reforço proporcional das condições para acolher esse crescimento.

A ideia deixada é a de que Sines vive uma transformação profunda, com investimentos de enorme dimensão a alterarem a escala do território, mas com estrangulamentos cada vez mais visíveis no quotidiano. A valorização económica do concelho contrasta, assim, com dificuldades concretas sentidas por quem cá vive, trabalha ou procura fixar-se. Álvaro Beijinha defende, por isso, que o investimento privado precisa de ser acompanhado por uma resposta pública à altura, capaz de dar suporte ao novo ciclo de desenvolvimento. Sem esse equilíbrio, o risco é ver o crescimento dos grandes projectos coexistir com um agravamento dos problemas locais. No centro desta pressão estão investimentos de grande dimensão que reforçam o peso de Sines no mapa industrial e tecnológico do país.

No entanto, o autarca sublinha que a importância estratégica do concelho deve traduzir-se também em melhores condições de habitação, mobilidade, serviços e qualidade de vida. A leitura feita na entrevista aponta para um desafio que vai além da atracção de investimento, garantir que a transformação em curso em Sines não se esgota nos números e nas promessas de crescimento, mas produz também respostas concretas para o território e para a população.

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