Morreu Carlos Brito, histórico dirigente do PCP e figura marcante da política portuguesa.

Carlos Brito, histórico dirigente do Partido Comunista Português, morreu aos 93 anos. Figura destacada da oposição ao Estado Novo, antigo preso político e uma das personalidades mais relevantes da história do PCP no período democrático, Carlos Brito teve um percurso político ligado a alguns dos momentos mais importantes da vida pública portuguesa nas últimas décadas.

Militante comunista desde os anos 50, Carlos Brito foi preso três vezes pela PIDE e passou cerca de oito anos nas prisões do Aljube, Caxias e Peniche. Nos últimos anos da ditadura viveu na clandestinidade, enquanto funcionário do partido, tendo assumido responsabilidades de direcção antes do 25 de Abril de 1974.

Depois da Revolução, foi eleito para a Assembleia Constituinte e manteve-se na Assembleia da República até 1991. Durante cerca de 15 anos liderou o grupo parlamentar do PCP, tornando-se uma das vozes mais reconhecidas do partido no Parlamento e uma figura de grande peso na afirmação institucional dos comunistas no regime democrático.

Carlos Brito foi também candidato presidencial em 1980, embora tenha desistido da candidatura para apoiar a reeleição de Ramalho Eanes, numa decisão enquadrada na estratégia política do PCP na altura. Ao longo da sua vida política, foi muitas vezes apontado como uma figura próxima de Álvaro Cunhal. Mais tarde, acabaria por se destacar também entre os sectores renovadores do PCP, defendendo alterações internas e uma revisão da orientação política do partido.

Esse percurso levou ao afastamento em relação à direcção comunista, tendo sido suspenso em 2002 e autosuspendido-se no ano seguinte.Apesar das divergências finais com o PCP, Carlos Brito permaneceu como uma figura incontornável da história comunista portuguesa, da resistência antifascista e da consolidação da democracia parlamentar em Portugal.Foi ainda director do jornal “Avante!” entre 1992 e 1998. Carlos Brito residia no concelho de Alcoutim, no Algarve.

A sua morte encerra um percurso político longo, marcado pela clandestinidade, pela prisão, pela intervenção parlamentar e por uma presença relevante nos debates internos da esquerda portuguesa.

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