
A taxa de sindicalização em Portugal registou uma queda acentuada nas últimas décadas, passando de cerca de 65% dos trabalhadores em 1973 para 14% em 2020, segundo dados da OCDE.
A fonte indicada é a base de dados OECD/AIAS ICTWSS, que reúne informação comparável sobre sindicatos, contratação colectiva, salário mínimo, intervenção do Estado e relações laborais nos países da OCDE e da União Europeia.
De acordo com estes dados, Portugal tinha uma das maiores taxas de sindicalização no período imediatamente anterior e posterior ao 25 de Abril. Em 1973, cerca de 65% dos trabalhadores estavam sindicalizados. A partir daí, a percentagem começou a descer de forma continuada, chegando aos 24,9% em 1990, aos 18,6% no início dos anos 2000 e aos 13,9% em 2020.A quebra mostra uma alteração profunda na relação dos trabalhadores portugueses com as estruturas sindicais.
Em menos de meio século, Portugal passou de um país onde a maioria dos trabalhadores estava sindicalizada para uma realidade em que apenas uma minoria mantém filiação sindical. É destacada ainda que a queda é particularmente visível no sector privado. Segundo a mesma publicação, a sindicalização neste sector passou de 10,6% em 2010 para cerca de 7% em 2022, revelando uma presença sindical bastante mais reduzida fora da Administração Pública. Apesar da redução da sindicalização, a influência dos sindicatos não desapareceu. Em Portugal, a cobertura da contratação colectiva continua a ser superior à taxa de filiação sindical, uma vez que muitos contratos colectivos podem abranger trabalhadores que não são membros de sindicatos.
A própria OCDE distingue estes dois indicadores: uma coisa é a percentagem de trabalhadores sindicalizados, outra é a percentagem de trabalhadores abrangidos por negociação colectiva. Os dados divulgados ajudam, assim, a retratar uma mudança estrutural no mercado de trabalho português: há menos trabalhadores sindicalizados, menos ligação directa às organizações sindicais e uma maior distância entre a representação formal dos trabalhadores e a filiação efectiva nas estruturas que os representam.