
A falta de habitação em Sines está a obrigar alguns dos principais investidores da região a criarem respostas próprias para alojar trabalhadores, numa altura em que o concelho se prepara para receber milhares de novos postos de trabalho associados aos grandes projectos industriais, energéticos, digitais e portuários.
De acordo com o Jornal Económico, nos próximos cinco anos a região poderá receber mais de 11 mil trabalhadores, entre postos directos e temporários. A pressão já se faz sentir no mercado local, com rendas muito elevadas e preços de venda de habitação nova que tornam cada vez mais difícil fixar trabalhadores no território.
Entre os projectos em preparação está o da Madoqua, empresa ligada à produção de hidrogénio e amoníaco verde. A primeira fase deverá passar pela instalação de casas modulares junto à Zona Industrial e Logística de Sines, com capacidade para acolher mais de mil operários em simultâneo. Numa segunda fase, até 2030, a empresa prevê criar entre 150 e 200 habitações, de tipologias T1, T2 e T3, destinadas sobretudo a quadros especializados, engenheiros e trabalhadores ligados ao projecto.Também a CALB, que prepara a construção da fábrica de baterias de lítio em Sines, está a desenvolver soluções próprias.
Segundo o mesmo jornal, a empresa chinesa pretende avançar com 70 moradias para altos quadros em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, e tem ainda previsto um hotel com capacidade para 700 camas. No sector digital, a Start Campus, responsável pelo Sines Data Campus, reconhece que o crescimento económico previsto para a região poderá aumentar as necessidades de habitação. A empresa tem vindo a acompanhar o tema em articulação com entidades públicas e privadas, procurando soluções ajustadas à realidade local. A Administração dos Portos de Sines e do Algarve também pretende intervir nesta área. O Porto de Sines prevê investir cerca de 10 milhões de euros até 2028 na construção de 50 a 70 casas, de tipologias T1 e T2, destinadas a arrendamento. A prioridade deverá ser dada a trabalhadores da comunidade portuária e logística, incluindo entidades públicas e privadas ligadas à actividade do porto.
Para viabilizar este projecto, a Câmara Municipal de Sines já iniciou o processo de alteração ao Plano de Pormenor da Zona Poente, de forma a permitir a construção de habitação no terreno da APS. A aprovação da alteração poderá seguir para a Assembleia Municipal durante o Verão. A escassez de casas tornou-se um dos maiores desafios do crescimento económico de Sines.
Com vários investimentos de grande escala em curso ou previstos, a criação de emprego começa a esbarrar numa questão essencial: Onde vão viver os trabalhadores que esses projectos precisam de atrair e fixar?