Portugal tem cada vez menos jovens e quase o dobro de idosos.

O envelhecimento demográfico continuou a acentuar-se em Portugal em 2025, apesar de os fluxos migratórios terem contribuído para reforçar a população em idade activa e para travar, em parte, uma evolução ainda mais negativa.

De acordo com os dados do INE, o índice de envelhecimento atingiu em 2025 um valor próximo dos 19 idosos por cada 10 jovens. Em 2021, ano dos últimos Censos, a relação era de cerca de 18 idosos por cada 10 jovens, confirmando uma tendência estrutural que se tem vindo a consolidar nas últimas décadas.

Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens na população residente baixou de 13% para 12,4%, uma evolução que se reflecte no estreitamento da base da pirâmide etária. Na prática, Portugal continua a ter menos crianças e jovens em proporção do total da população.Em sentido contrário, a população em idade activa aumentou de 63,7% para 64,3%.

Este crescimento está associado, sobretudo, à entrada de população imigrante, que tende a concentrar-se nas idades de trabalho, contribuindo para compensar a perda natural de população e para aliviar alguns efeitos do envelhecimento. Ainda assim, o país mantém uma estrutura demográfica marcada por fortes desequilíbrios. O peso crescente da população idosa coloca pressão sobre áreas como a saúde, a segurança social, os cuidados continuados, a habitação adaptada e os serviços de proximidade, sobretudo nos territórios mais envelhecidos. A idade mediana da população residente em Portugal passou para 45,8 anos, abaixo dos 46,1 anos registados em 2021. Este ligeiro rejuvenescimento não significa uma inversão da tendência de envelhecimento, mas antes o efeito da chegada de população em idade activa nos últimos anos.

Os dados mostram, assim, um país que continua a envelhecer, mas cuja população activa tem sido reforçada pela imigração. O desafio passa agora por transformar esse contributo demográfico em integração efectiva, emprego estável, fixação de famílias e melhores condições para aumentar a natalidade.

Deixe um comentário