
Sines volta a surgir no mapa dos investimentos industriais. Desta vez, não se fala de petróleo, gás natural ou contentores, mas de um metal pouco conhecido: O antimónio.
Apesar do nome estranho, o antimónio é uma matéria-prima considerada crítica pela União Europeia. É usado em áreas ligadas à tecnologia, energia, defesa, baterias, componentes electrónicos, semicondutores, painéis solares, ligas metálicas e retardadores de chama. Na prática, é um elemento químico, identificado pelo símbolo Sb, com aspecto acinzentado e prateado. Não é um material presente no dia-a-dia das conversas, mas está ligado a sectores cada vez mais estratégicos para a economia europeia.
A futura unidade prevista para a Zona Industrial e Logística de Sines será dedicada à refinação de antimónio. Não será uma refinaria como as que se associam ao petróleo, mas uma instalação industrial destinada a tratar, transformar e valorizar esta matéria-prima. O projecto é da ACM – Alchemy & Critical Metals, após acordo de reserva de terreno com a aicep Global Parques. A unidade deverá ter capacidade para produzir até 10 mil toneladas por ano de antimónio metálico, juntando produção primária e material resultante de reciclagem. A entrada em funcionamento está apontada para 2030 e poderá criar cerca de 150 postos de trabalho directos.
Mas há também um lado que merece atenção. A extracção, tratamento e refinação de antimónio exigem cuidados ambientais e de segurança. A exposição prolongada a poeiras ou compostos deste metal pode representar riscos para a saúde, sobretudo em contexto laboral. Por isso, serão essenciais o controlo de emissões, resíduos, águas industriais e poeiras, bem como fiscalização rigorosa.Para Sines, este projecto pode significar investimento, emprego e maior peso numa área estratégica para a Europa.
Mas também levanta perguntas legítimas: que emprego será criado, que garantias ambientais existirão e que benefícios reais ficarão no território. O antimónio pode parecer apenas uma palavra técnica, mas em Sines ganha outro significado. Fala de futuro industrial, de dependências europeias e da velha questão que acompanha os grandes projectos no concelho: Como transformar investimento em desenvolvimento verdadeiro para quem aqui vive e trabalha.