Possível fusão Galp/Moeve chega ao Presidente da República.

A eventual operação entre a Galp e a Moeve voltou a colocar a refinaria de Sines no centro das preocupações laborais, económicas e estratégicas. A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal alertou o Presidente da República, António José Seguro, para os riscos que associa ao negócio em negociação, defendendo que estão em causa matérias que ultrapassam a dimensão empresarial.

Segundo a estrutura representativa dos trabalhadores, a operação poderá ter impacto directo na refinaria de Sines, no emprego e na capacidade de decisão nacional sobre um activo considerado essencial para o país. A principal preocupação prende-se com a possibilidade de a Galp ficar numa posição minoritária numa futura plataforma ibérica que junte activos industriais das duas empresas.

Para os trabalhadores, esse cenário poderia significar uma perda de influência portuguesa sobre decisões estratégicas ligadas à energia, à actividade industrial e ao futuro da Petrogal. A Comissão Central de Trabalhadores considera que a refinaria de Sines não pode ser tratada apenas como um activo financeiro, sublinhando o seu peso no abastecimento energético, na economia nacional e no emprego directo e indirecto no Alentejo Litoral. A estrutura critica também a falta de esclarecimentos públicos sobre os efeitos concretos da eventual fusão ou parceria, nomeadamente quanto à manutenção da actividade industrial em Sines, à protecção dos postos de trabalho e ao papel futuro da refinaria no quadro energético nacional.

O alerta dirigido ao Presidente da República surge num momento em que os trabalhadores têm vindo a pedir uma posição mais clara das instituições do Estado. A Comissão Central de Trabalhadores entende que o Governo deve assumir uma intervenção activa no acompanhamento do processo, defendendo o interesse nacional e garantindo que qualquer decisão salvaguarda a soberania energética, a continuidade industrial e os direitos dos trabalhadores.

Para além do emprego dentro da própria estrutura da Petrogal, a actividade da refinaria envolve empresas prestadoras de serviços, manutenção, logística, transporte e outras áreas associadas ao complexo industrial. A Comissão Central de Trabalhadores insiste que um processo desta dimensão não deve avançar sem transparência, sem debate público e sem garantias concretas para quem trabalha no sector. Para os representantes dos trabalhadores, o futuro da refinaria de Sines deve ser tratado como uma questão estratégica para Portugal, e não apenas como uma decisão entre grupos empresariais.

O tema ganha, assim, uma nova dimensão política e institucional, ao chegar ao Presidente da República, num contexto em que continuam por esclarecer os contornos finais da operação entre a Galp e a Moeve e os seus possíveis efeitos sobre Sines.

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