PSA preocupada com taxas de emissões no Porto de Sines.

Segundo o ECO, a PSA, concessionária do Terminal XXI, está “muito preocupada” com o impacto das taxas de emissões aplicadas ao transporte marítimo no Porto de Sines, sobretudo pelo efeito que estas podem ter na competitividade do terminal face a portos do Norte de África, como Tânger Med e Nador.

A preocupação foi assumida por Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, numa entrevista ao ECO, onde explicou que o sistema europeu de comércio de emissões está a criar uma pressão acrescida sobre os portos do sul da Europa. Em causa está o facto de os navios que escalam portos europeus terem de pagar taxas que não são aplicadas noutras regiões do mundo.“Estamos a falar de valores médios de 400 mil euros só desses ETS”, referiu Pedro do Ó Ramos, explicando que o valor depende do número de contentores transportados por cada navio.

Para Sines, onde o Terminal XXI tem uma forte componente de transhipment, esta diferença pode ser decisiva. O responsável máximo da APS sublinhou que, para um grande armador, pode ser indiferente colocar carga em Sines, Nador ou Tânger, uma vez que grande parte dessa carga não fica no porto onde é movimentada. A diferença está nos custos. E, nesse campo, os portos europeus podem ficar em desvantagem.“O nosso concessionário, PSA, está muito preocupado, evidentemente, com o investimento que tem feito aqui”, afirmou Pedro do Ó Ramos, acrescentando que esta é uma questão “decisiva” para Sines. A APS defende que a carga de transhipment, por não ter como destino final a Europa, não devia ser penalizada da mesma forma. Pedro do Ó Ramos revelou mesmo que está em estudo, ao nível da Comissão Europeia, uma proposta para permitir que os navios de transhipment fiquem de fora desta taxa.“Se a carga não fica na Europa, por que razão, só por escalar na Europa, tem que pagar essa taxa?”, questionou o presidente da APS.

Para Sines e para a PSA, a decisão pode ser determinante. Ou manter competitividade no mapa europeu dos contentores ou ver parte da carga procurar alternativas fora da União Europeia.

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