Porto de Sines afasta risco de falhas no abastecimento devido à crise no Médio Oriente.

Segundo o ECO, o Porto de Sines não está, para já, exposto a problemas de abastecimento energético provocados pela crise no Médio Oriente e pela instabilidade junto ao Estreito de Ormuz.

Em entrevista, o Presidente do Conselho de Administração dos Portos de Sines e do Algarve, Pedro do Ó Ramos, reconhece que a situação internacional tem “um impacto tremendo para o país”, sobretudo por causa do possível aumento dos preços.

Ainda assim, garante que, do ponto de vista do fornecimento, Sines está protegido.“Fruto dos contratos que foram celebrados pelos nossos concessionários, quer a REN do ponto de vista do gás natural, quer a Galp na questão do crude, não estamos nada expostos ao Médio Oriente”, afirmou. Pedro do Ó Ramos sublinha que 96% das necessidades do país em gás natural são abastecidas através de Sines, tendo o gasoduto proveniente da Argélia perdido expressão nos últimos anos. Também no crude, a maioria das importações entra pelo porto sineense.

De acordo com o presidente da APS, Portugal recebe actualmente crude sobretudo da bacia atlântica. “Há muito perto de 10 anos que não recebemos qualquer tipo de crude do Médio Oriente”, referiu, acrescentando que cerca de 85% das necessidades nacionais de crude são abastecidas através do Brasil. No gás natural, os principais fornecedores apontados são os Estados Unidos, Argélia e Nigéria. A Nigéria surge também como fornecedora de crude. Apesar da menor dependência directa do Médio Oriente, a crise continua a ter efeitos indirectos, uma vez que petróleo e gás natural são negociados em mercados globais. “Não temos problema de abastecimento. Claro está, que como este é um mercado global, temos a questão dos preços”, afirmou Pedro do Ó Ramos.

O responsável revelou ainda que tem estado em contacto com a REN e com a Galp, garantindo que, neste momento, não há sinais de problemas nos contratos nem no fornecimento. Ou seja, o risco imediato não está na falta de energia, mas no preço que o país poderá vir a pagar por ela.

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