
A investigação da Operação Influencer voltou a colocar o projecto do centro de dados previsto para Sines no centro das atenções, depois de o Ministério Público ter procurado novos elementos que possam ser relevantes para o processo.
Em causa está a possibilidade de serem analisados documentos recolhidos no âmbito de outro processo judicial, relacionados com Vítor Escária, antigo chefe de gabinete de António Costa. A intenção dos investigadores será perceber se esses elementos podem ajudar a esclarecer contactos, decisões ou ligações com interesse para a investigação que envolve o projecto de Sines. A Operação Influencer investiga suspeitas relacionadas com vários projectos considerados estratégicos, incluindo o centro de dados de Sines.
O processo envolve figuras políticas, antigos governantes, responsáveis públicos e empresários, mas continua ainda numa fase em que não existe decisão judicial final sobre os factos em causa. No caso de Sines, o centro de dados tem sido apresentado como um investimento de grande dimensão, associado à economia digital, à energia, às infraestruturas internacionais e à capacidade do concelho para atrair projectos de escala global. Ao mesmo tempo, o facto de surgir ligado a uma investigação judicial mantém o tema sob forte escrutínio público e político.
A eventual recolha de novos elementos não significa, por si só, que existam novas conclusões sobre o processo. Trata-se de uma diligência destinada a reunir informação, cruzar documentos e perceber se existem dados relevantes para a investigação em curso.Para Sines, a situação tem uma importância particular. O concelho tem vindo a afirmar-se como território estratégico para investimentos ligados à energia, à logística, aos dados e à indústria, mas este caso mostra também como grandes projectos podem ficar condicionados por dúvidas institucionais, processos judiciais e disputas políticas nacionais.
A investigação prossegue, mantendo o projecto de Sines no centro de um dos processos mais mediáticos dos últimos anos em Portugal.