Lado B: “Quem paga a conta quando se decide criar mais um clube ?”

Sines tem uma relação forte com o desporto. Há atletas, treinadores, dirigentes, pais disponíveis e muita gente que continua a dar horas à comunidade sem esperar grande reconhecimento. E ainda bem que assim é !

Isso merece respeito. Mas quando se cria mais um clube, há uma pergunta que não pode ficar de fora: quem paga a conta? Criar uma associação é a parte mais visível. Há um nome, um símbolo, uma apresentação pública e entusiasmo. O problema vem depois, quando chegam os seguros, inscrições, equipamentos, transportes, arbitragens, material, espaços de treino e todas as despesas que mantêm uma modalidade de pé.

Por isso, a pergunta é legítima: Possui a direcção de um clube que se forma e hipotéticos futuros patrocinadores, a capacidade para suportar todas as despesas inerentes, ou parte-se logo do princípio de que mais à frente, o apoio camarário acabará por resolver o problema?

Esta questão torna-se ainda mais sensível quando há clubes em Sines com décadas de existência, trabalho feito e provas dadas, que continuam a formar atletas, a competir, a organizar actividades e a levar o nome da terra para fora. Muitos desses clubes vêem os apoios diminuir, enquanto os custos aumentam todos os anos. Se o bolo dos apoios não cresce, mas há cada vez mais projectos para apoiar, alguém vai receber menos. E isso deve ser discutido com clareza e frontalidade.

Não se trata de travar novos clubes. Sines precisa de desporto, de modalidades, de jovens ocupados e de gente com iniciativa. Mas também precisa de perceber se há espaços, horários, patrocinadores e apoios suficientes para todos. A Câmara Municipal tem um papel importante, mas o apoio ao desporto não pode depender apenas da pressão do momento.

Tem de haver critérios, transparência e uma visão para o concelho. Também não se pode tratar da mesma forma quem está a começar e quem há décadas mantém portas abertas e trabalho reconhecido.Mais um clube pode ser uma boa notícia. Mas também deve servir para fazer a pergunta que muitas vezes se evita: Sines tem uma estratégia para o desporto local ou vai apenas somando projectos até que a conta deixe de bater certo?

Autor: Jorge Heleno

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos seus leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

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