Lado B: “Para quando habitações a custos controlados em Sines?”

Sines vive hoje uma forte contradição que é por demais evidente. É apresentada e “vendida” como terra de futuro, recebe e irá receber grandes investimentos, atrai empresas inovadoras e dinâmicas, projectos estratégicos e relevantes, mas continua sem dar uma resposta firme a uma das necessidades mais básicas da população: A habitação.

Fala-se de um enorme crescimento, de milhares de trabalhadores, de novas oportunidades e de desenvolvimento económico. Mas a pergunta essencial mantém-se: Onde vão viver as pessoas, sejam de fora ou da terra? A falta de habitação em Sines já não afecta apenas as famílias com menores rendimentos. Atinge jovens trabalhadores, casais em início de vida, famílias de classe média e pessoas que trabalham no concelho, mas não conseguem suportar os valores actuais do mercado. Como se diz na gíria: “Vender um rim e meio por uma habitação”. As rendas subiram de forma estratosférica, a oferta é reduzida e muitos imóveis passaram a ser direccionados para empresas ou para valores longe dos salários praticados na região, obrigando quem sempre cá viveu a ir para fora.

As habitações a custos controlados são, por isso, uma solução necessária e viável. Não são uma promessa impossível nem uma ideia distante. São uma resposta concreta para quem não consegue aceder ao mercado livre, mas também não encontra lugar nas respostas sociais tradicionais. Podem ser uma ponte essencial para trabalhadores, jovens e famílias que querem viver por cá. Sines teve esse histórico no passado, ou seja, não se anda a inventar nada. Noutros concelhos, já se avançou por este tipo de soluções.

O concelho deverá ter condições para avançar. Existem por certo, terrenos públicos apropriados, instrumentos urbanísticos, programas nacionais, fundos disponíveis, eventuais cooperativas e modelos de parceria que podem ser mobilizados. O que falta é a decisão política, planeamento e capacidade de transformar compromissos em obra. Obviamente que após muitos anos de inércia na matéria, as soluções não aparecem do nada. Seria preferível uma decisão política em conjunto, num consenso generalizado entre todos os eleitos, tendo em conta a prioridade máxima que de facto, é.

Quem fala desta solução, fala de outra que já começa a ser vista com hipótese: A do arrendamento acessível. Seja pela recuperação de imóveis do município ou da construção municipal. Contudo esta é mais difícil, porque existe muito esforço do orçamento municipal, sem que ainda haja uma variedade de instrumentos disponíveis para os municípios avançarem.

Sines não pode ser apenas terra de investimento para fora e dificuldade para quem cá vive. O desenvolvimento só fará sentido se também servir os trabalhadores, os jovens, as famílias e os residentes que todos os dias fazem a cidade funcionar.

Habitações a custos controlados em Sines não são um luxo. São uma necessidade urgente, pertinente e decisiva para que o futuro anunciado não expulse precisamente quem dá vida à cidade.

Autor: Jorge Heleno.

Nota: O Lado B é um espaço livre de intervenção dos seus leitores. As opiniões pertencem aos seus autores e não vinculam, nem representam, o Notícias de Sines.

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