
Segundo avançoy o Expresso, a Galp desistiu da construção do Parque Eólico das Cachenas, uma infraestrutura com 19 turbinas prevista para o litoral alentejano e pensada para fornecer energia renovável ao projecto de hidrogénio verde que a empresa está a desenvolver em Sines.
O parque eólico tinha sido apresentado como uma peça de apoio ao Galp H2 Park, projecto instalado junto à refinaria da Galp, na Zona Industrial e Logística de Sines, com uma unidade de electrólise de 100 megawatts destinada à produção e armazenamento de hidrogénio verde. A energia produzida pelo Parque Eólico das Cachenas seria usada em regime de autoconsumo para alimentar a unidade de hidrogénio verde em Sines. O projecto previa uma capacidade instalada de cerca de 129 megawatts, com 19 aerogeradores, cada um com 6,8 megawatts de potência. A desistência não significa, por si só, o fim do projecto de hidrogénio verde em Sines.
O Galp H2 Park mantém-se como uma das apostas da empresa para descarbonizar a refinaria, substituindo parte do hidrogénio cinzento actualmente utilizado por hidrogénio produzido com energia renovável. De acordo com a própria Galp, o projecto representa um investimento de 240 milhões de euros e poderá reduzir as emissões anuais de CO2 em cerca de 110 mil toneladas. Ainda assim, a decisão retira do mapa uma das fontes renováveis previstas para alimentar directamente a futura produção de hidrogénio em Sines. O caso mostra também a dificuldade de compatibilizar grandes projectos de transição energética com o licenciamento ambiental, o ordenamento do território e a aceitação local.
A refinaria da Galp continua a ser uma peça estratégica na transição energética nacional, mas a produção de hidrogénio verde dependerá sempre da capacidade de garantir energia renovável suficiente, estável e competitiva.