
A criação da nova Alfândega de Sines, prevista para 1 de Janeiro de 2027, está a relançar o debate sobre o papel estratégico do concelho no comércio internacional e na actividade logística nacional.
A Ordem dos Despachantes Oficiais considera que Sines reúne condições para acolher uma Zona Franca, à semelhança do que acontece na Madeira, defendendo que esta solução poderia reforçar a competitividade do porto e atrair mais actividade económica para a região.
A nova Alfândega de Sines deverá contar com 33 efectivos e permitirá dar uma resposta mais próxima e autónoma à crescente importância do porto, que é hoje uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias em Portugal. Para os despachantes oficiais, a existência de uma estrutura alfandegária própria é um passo relevante, mas pode também abrir caminho a uma ambição maior, de transformar Sines num espaço com condições fiscais, aduaneiras e logísticas mais atractivas para empresas ligadas ao comércio internacional, à indústria, ao armazenamento e à reexportação de mercadorias.
Uma Zona Franca permitiria criar um regime especial para determinadas operações económicas, facilitando a instalação de empresas e a movimentação de mercadorias com regras adaptadas à actividade exportadora e logística. A medida poderia também reforçar a ligação entre o porto, a Zona Industrial e Logística de Sines e os grandes corredores de transporte nacionais e internacionais.
Sines tem sido apontado nos últimos anos como um território central para a economia portuguesa, devido à dimensão do seu porto, à actividade energética, industrial e logística e à sua localização atlântica. Neste contexto, os despachantes entendem que a criação de uma Zona Franca poderia aumentar a capacidade do concelho para competir com outros portos europeus e internacionais.
A proposta surge num momento em que o Governo prepara a instalação da nova Alfândega, uma decisão considerada relevante para o reforço da presença do Estado em Sines e para a melhoria da resposta às necessidades operacionais do porto.