Mini entrevista com TILDE & MARI.

Nasceram de uma amizade à distância, de muitos verões em Sines e de uma paixão comum pela música. TILDE & MARI juntam escrita, voz e produção num projecto que cruza indie, folk e dream pop, com referências que vão de Lana del Rey a Capitão Fausto.

Nesta mini entrevista ao Notícias de Sines, falam sobre a origem do projecto, a importância de Sines no seu percurso, a estreia ao vivo no festival Quintais Adentro, na Zambujeira do Mar, e os próximos passos, que passam pela gravação de novos temas e pela preparação de um EP.

1. Como nasceu o projecto TILDE & MARI?

O projeto TILDE & MARI, surgiu sobretudo de uma amizade forte e de uma enorme paixão pela música, pela escrita e pela produção de áudio. Conhecemo-nos em 2017, quando tínhamos 12 anos, através das nossas avós que são amigas e comentaram que tinham netas com idades iguais (apenas 5 dias de diferença) e que gostavam de tocar piano e cantar. A partir daí, sempre que estávamos juntas no período das férias, passávamos os nossos dias a cantar e a falar de música: desde o musical O Feiticeiro de Oz a Ariana Grande. E assim foi durante 8 anos. A música foi, e continua a ser, o elo que nos ligou primeiramente e que deu estrutura à nossa amizade à distância.Nos verões, a Mariana vinha para Sines e gravávamos as nossas versões das músicas que mais gostávamos. Sempre tivemos a grande vantagem de ter um estúdio ao nosso dispor e de ter o meu pai, Charlie Mancini, como produtor e mentor.No verão passado, sentimos a necessidade de começar algo nosso, mais uma vez, através do nosso impulsionador Charlie.Ele mostrou-nos alguns instrumentais da sua autoria e foram surgindo ideias, um conceito que junta referências como Holywood e Califórnia com um lado de portugalidade.

2. Sendo ambas de Sines, que importância tem a cidade na vossa música e no vosso percurso artístico?

Na verdade, queremos aproveitar a oportunidade para desmistificar esta ideia. Apesar da Mariana ter passado grande parte dos seus verões de férias em Sines e gostar imenso da zona, ela é originalmente de Toronto, no Canadá e cresceu em Almada. A nossa amizade tem sido vivida, na maior parte do tempo à distância, mas era sobretudo em Sines que nos reencontrávamos, nas férias de verão e até no inverno.É, por isso, um espaço de grande importância na nossa amizade, o sítio onde mais cantámos e criámos música. Acaba por ser um pouco a casa das duas e um ponto de encontro para a nossa amizade perdurar.

3. Como descrevem a vossa sonoridade a quem ainda não vos conhece?

A nossa sonoridade mistura géneros como o indie, folk e dream pop. Costumamos caracterizar-nos como as Lanas del rey portuguesas e costumam dizer-nos que o nosso single “Too close to the sun” se parece um pouco com Pink Floyd.

4. Cantam em português e em inglês. Essa escolha surge naturalmente ou faz parte da identidade do projecto?

É uma escolha que surge naturalmente, especialmente o inglês, visto que para nós tem sido mais natural cantar e escrever em inglês. Como dizem os Clã “a língua inglesa fica sempre bem”. Não há como falhar.Quanto à aposta em temas escritos em português, penso que vem mais da minha parte (Tilde) e das minhas influências (Ciclo Preparatório, Clã, Capitão Fausto). Continua a ser um desafio para mim (Tilde), visto que o que mais gosto de escrever em português é poesia e é diferente de escrever uma letra que terá de encaixar numa música em termos de métrica. Mas estamos cá para nos desafiar!

5. O vosso projecto nasce de uma amizade. De que forma essa ligação influencia a forma como compõem e actuam?

A nossa amizade é, sem dúvida, a base de tudo. Sabemos a história de vida inteira uma da outra, os medos e frustrações, a vida amorosa e os seus percalços, os sonhos e ambições. Tudo isto ajuda-nos a encontrar temas em comum que queremos retratar e a decidir de que forma os abordaremos.

6. Que temas ou emoções procuram transmitir nas vossas canções?

Penso que do meu lado (Tilde), diria que procuro transmitir um lado mais nostálgico, de olhar para dentro e de análise das situações que correram menos bem. No fundo é mostrar a importância de nos responsabilizarmos também pela forma como as coisas se desenrolam, em vez de culpar apenas uma parte. Já do meu lado (Mariana), sinto necessidade de exteriorizar tudo o que sinto, mas dando-lhe um toque mais romantizado e dramático, como se cada emoção ganhasse um espaço próprio, quase um universo. Nunca fui à Califórnia, por exemplo, mas há sentimentos meus que pertencem, para sempre, a esse lugar imaginado.

7. Vão actuar no festival Quintais Adentro, na Zambujeira do Mar. O que representa para vocês participar neste evento?

Na verdade, já atuámos, na passada sexta-feira, dia 05 de junho, e podemos dizer que foi uma experiência incrível e um ótimo sítio para nos estrearmos ao vivo. Foi uma oportunidade ótima para mostrarmos o nosso trabalho e queremos agradecer ao João Veiga por ter acreditado no nosso projeto. Sentimos que foi um ambiente super acolhedor e tranquilo. O conceito de tocarmos no quintal da casa de desconhecidos nunca nos teria passado pela cabeça mas foi das experiências mais humanas e genuínas que tivemos.

8. Neste concerto serão acompanhadas ao piano por Charlie Mancini. O que traz essa colaboração à vossa actuação?

Para nós, não faria sentido atuar de outra forma que não juntos: foi assim que tudo começou, há 10 anos. É uma colaboração muito natural e essencial, que vai muito além de um simples acompanhamento ao piano. O Charlie dá vida às nossas canções, trazendo o seu toque pessoal, muito influenciado pelo universo do cinema e das bandas sonoras. Mas, acima de tudo, oferece-nos orientação e apoio, incentivando-nos sempre a sermos fiéis a nós próprias.

9. Como olham para o momento actual da criação musical jovem em Sines e no Litoral Alentejano?

Como alguém que viveu aqui praticamente a sua vida toda (Tilde), sempre fui da opinião de que tem de haver um investimento nas artes e na cultura e que é um trabalho em progresso. Cresci cá e fiz parte de algumas iniciativas neste âmbito da música. Estudei na escola das artes através do ensino articulado, onde aprendi a tocar piano, e são tempos que levarei para sempre com muito carinho. Os professores são profissionais incríveis e muito do que sei hoje devo-lhes a eles. Fiz parte do Coral Atlântico Juvenil e foi também um espaço importante para seguir aquilo que sempre gostei mais na música: o canto. Posto isto, acho que existem algumas oportunidades em Sines para os jovens que têm esta propensão para a música e que é importante apoiar e dar ferramentas para que os projetos dos jovens possam desabrochar na terra que os viu crescer. Quanto à criação musical pensamos que poderia haver mais iniciativas como por exemplo a criação de estúdios de gravação comunitários para incentivar e dar a conhecer aos jovens o mundo da criação musical em estúdio, com os recursos disponíveis para tal.

10. Sentem que existem oportunidades suficientes para jovens artistas da região mostrarem o seu trabalho?

Sinto que, sendo uma região pequena, poderiam existir mais oportunidades e iniciativas, mas que estamos num bom caminho. Temos o Centro de Artes que dinamiza inúmeras iniciativas e temos estado também em contacto com o Município para perceber que tipo de apoios nos poderão dar no futuro e sentimos que há essa abertura.

11. Que referências musicais vos inspiram?

Diria que Lana del Rey, Ariana Grande, Ennio Morricone, Henry Mancini e Capitão Fausto.

12. Depois do Quintais Adentro, quais são os próximos passos do projecto TILDE & MARI?

Num futuro mais próximo (ou seja, este verão), vamos dedicar-nos a compor e gravar mais temas, terminar o EP, possivelmente lançar mais um single… e num futuro mais a longo prazo, queremos atuar mais, queremos naturalmente continuar a fazer música e trabalhar num projeto mais longo, a nossa era seguinte. Estamos entusiasmadas com o que está por vir!

13. Onde é que as pessoas podem acompanhar o vosso trabalho?

Podem acompanhar-nos em todas as plataformas de streaming (Tilde & Mari) e estar mais perto de nós pelo instagram em @tildeandmari.music.

Foto: TILDE & MARI.

Deixe um comentário